Brasil quer vacinar contra a gripe população nos abrigos que pede por agasalhos

por Lusa

As autoridades do estado brasileiro do Rio Grande do Sul anunciou hoje uma campanha de vacinação contra a gripe nos abrigos, numa altura que as temperaturas baixam, com a população a precisar de cobertores e colchões.

Em comunicado, os técnicos da Secretaria da Saúde e do Ministério da Saúde, definiram que toda a população a partir de seis meses de idade que está nos abrigos será vacinada.

A meta é vacinar todo esse grupo até segunda-feira. De acordo com as autoridades, o Rio Grande do Sul tem 76.580 pessoas em abrigos espalhados por 103 municípios.

"Essa é uma ação voltada para os abrigos, mas temos municípios que possuem doses e já estão vacinando também socorristas e voluntários", explicou, na mesma nota, a chefe da Seção de Imunizações da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Eliese Denardi Cessar.

Para além disso, o Ministério da Saúde já deu instruções para ações de vacinação contra hepatite A, tétano e raiva humana nas áreas regiões afetadas pelas inundações.

Enquanto isso, com o aproximar do inverno gaúcho, as temperaturas começaram a cair em alguns municípios do estado abaixo dos cinco graus.

Acrescentando às chuvas que ainda se fazem sentir, têm surgido, por isso, apelos para que as doações também se centrem nas roupas quentes e cobertores.

Nas redes sociais, a primeira-dama, Janja Lula da Silva, que tem estado na linha da frente no apoio às comunidades afetadas, escreveu: "o frio já chegou ao Rio Grande do Sul e as milhares de pessoas que perderam tudo estão recebendo doações de roupas e cobertores quentinhos para se proteger das baixas temperaturas".

"Mas ainda precisam de muito mais!", avisou.

Água, alimentação duradora e produtos de primeira necessidade são aqueles cujas autoridades têm apelado nas milhares de doações que chegam diariamente, fruto de uma onda de solidariedade que se vive no país, visível em praticamente todos os estabelecimentos comerciais do país.

Em Brasília, por exemplo, não existe praticamente um estabelecimento, ou serviço público, que não esteja a fazer recolha de produtos ou a apelar a doações financeiras para ajudar os `irmãos gaúchos`.

Na quarta-feira, através do apoio logístico do Governo, chegaram 603 mil itens de higiene pessoal para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, como pensos higiénicos, fraldas infantis e fraldas geriátricas.

"A entrega vai beneficiar diretamente mais de 20 mil pessoas", disse o Ministério da Saúde, em comunicado.

Têm surgido apelos também para a chegada de alimentos para animais, como cães, gatos e cavalos.

A presidente do Palmeiras, clube treinado pelo português Abel Ferreira, transportou no seu avião privado, na quarta-feira, veterinários, três toneladas de alimentos e medicamentos para animais resgatados.

Apesar das autoridades terem conseguido restabelecer os serviços de água e eletricidade para 95% das residências, há ainda muita gente sem acesso a eletricidade e, por isso, a comunicações e avisos por parte dos socorristas.

Por essa razão, o aglomerado de comunicação Jovem Pan, juntou-se a outras iniciativas que decorrem no país, para uma campanha de doação de rádios a pilha e pilhas.

"Esta iniciativa visa fornecer um meio de comunicação essencial para essas famílias, permitindo que elas recebam informações vitais sobre locais seguros e orientações importantes em momentos de crise", escreveu o grupo.

Pelo menos 152 pessoas morreram e 104 continuam desaparecidas devido às inundações que se fazem sentir no sul do Brasil, indicou a Defesa Civil, em novo balanço.

De acordo com as autoridades regionais, cerca de 615 mil pessoas estão desalojadas.

O estado do Rio de Grande do Sul, que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai, vive a situação mais dramática, com 151 mortos, 90% dos municípios afetados e 2,1 milhões de pessoas afetadas.

No estado vizinho de Santa Catarina foi registada uma morte.

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