Brasil. Representação LGBT+ no parlamento bate recorde e quase duplica
O Brasil elegeu 35 pessoas LGBT+ nas eleições de domingo, quase o dobro das 18 de 2022, totalizando mais de dez milhões de votos, segundo o Instituto Plena Cidadania.
As candidaturas LGBT+ somaram 10.746.125 votos, segundo o levantamento da organização responsável pela iniciativa VoteLGBT, que identificou 519 candidaturas nestas eleições, um aumento de 58,7% face às 327 registadas há quatro anos.
"Se tem alguém que pode ficar feliz e orgulhoso com o trabalho que fez nos últimos quatro anos são as lideranças LGBT", afirmou à Lusa Guilherme Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania.
Na Câmara dos Deputados, a representação LGBT+ mais do que triplicou, passando de quatro para 13 eleitos, enquanto no Senado foi eleita uma representante, Samanda de Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi eleita pelo estado Rio Grande do Norte.
Outras 21 pessoas conquistaram lugares nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (onde se situa a capital, Brasília).
O dirigente destacou também o trabalho da equipa da organização para criar condições que permitam a estas lideranças ocupar "o espaço que lhes é devido na política", considerando que o crescimento eleitoral reflete a confiança conquistada através da atuação dos representantes LGBT+ nas legislaturas atuais.
"Essa bancada tem uma excelência legislativa que inspirou muita gente a confiar no trabalho das LGBT", afirmou, referindo-se aos parlamentares que exerceram funções entre 2022 e 2026.
"Eu acho que as pessoas começaram a entender que quando o LGBT está no poder, todo mundo ganha, a vida material delas melhora", frisou, apontando propostas legislativas apresentadas e aprovadas por representantes LGBT+ nomeadamente na área dos direitos dos trabalhadores.
O crescimento da representação foi acompanhado por uma maior distribuição territorial: o número de estados com pessoas LGBT+ eleitas passou de oito para 14, segundo o instituto.
O nome mais famoso continua a ser o da deputada transgénero Érika Hilton, atual representante do estado de São Paulo na Câmara dos Deputados pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de esquerda, que foi reeleita este domingo com quase 1,6 milhões de votos, tornando-se a mulher mais votada para o Congresso na história do Brasil.
A parlamentar de 33 anos recebeu cerca de 1,6 milhões de votos , a segunda maior votação para deputado federal pelo estado de São Paulo, apenas superada por Lucas Pavanato, eleito pelo Partido Liberal (PL), de extrema-direita, com três milhões de votos.
A parlamentar tem-se destacado no Congresso pelas suas iniciativas em defesa das pessoas transexuais e das mulheres, bem como contra o racismo, a intolerância religiosa e pelo fim da jornada de seis dias de trabalho.
Em 2022, tornou-se a primeira mulher negra e transexual eleita para a Câmara dos Deputados brasileira e, em março de 2026, a primeira pessoa transexual a presidir à Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher daquela câmara.
Atualmente, lidera no Congresso a campanha a favor da iniciativa do Presidente brasileiro, Lula da Silva, para reduzir o horário de trabalho para quarenta horas, distribuídas por cinco dias da semana.