Brasil vai emitir vistos humanitários para ucranianos
O Governo do Brasil informou hoje que vai emitir vistos humanitários temporários e autorizações de residência para cidadãos ucranianos e outros indivíduos afetados ou deslocados pelo conflito com a Rússia.
Os vistos serão válidos por 180 dias e os ucranianos que chegarem poderão solicitar autorização de residência com duração de dois anos, de acordo com o texto publicado no Diário Oficial do país.
O Brasil informou que exigirá, entre outros documentos, uma certidão que ateste o registo criminal limpo da pessoa interessada em receber autorização para receber o visto humanitário ou morar no país.
Os `media` locais destacam que o país tem a maior população de ucranianos e descendentes da América Latina, numa comunidade que terá entre 500.000 e 600.000 pessoas, de acordo com uma estimativa da embaixada da Ucrânia.
O Governo liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro tem sido ambivalente sobre o conflito desde que a guerra eclodiu na semana passada.
O próprio Bolsonaro expressou solidariedade para com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, numa visita recente à Rússia e disse que o Brasil manterá uma posição neutra no conflito.
Ao mesmo tempo, o país sul-americano, que ocupa uma cadeira não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, votou pela condenação da invasão russa a Ucrânia na última reunião do órgão, bem como na votação da Assembleia Geral da ONU, na passada quarta-feira, no mesmo sentido.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades.
O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a "operação militar especial" na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.