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Brexit. Boris Johnson avança para eleições após derrota no parlamento
Esta terça-feira, o Parlamento do Reino Unido aprovou uma moção para um debate de emergência cujo objetivo é introduzir um projeto de lei para descartar um Brexit sem acordo. O projeto de lei será levado a votos na quarta-feira, decidindo o futuro do Reino Unido. Boris Johnson anunciou no Parlamento uma moção para eleições antecipadas.
O primeiro-ministro britânico acaba de sofrer uma grande derrota. O Parlamento britânico aprovou uma moção para um debate de emergência cujo objetivo é introduzir um projeto de lei para descartar um Brexit sem acordo. É neste clima desfavorável para Boris Johnson que amanhã, quarta-feira, será levado a votos o projeto de lei que defende o prolongamento do prazo de saída do Reino Unido da União Europeia.
Numa contabilidade que permanece muito volúvel desde que se iniciou a discussão do Brexit nas sessões do Parlamento britânico, na noite desta terça-feira, 21 deputados Conservadores votaram contra Boris Johnson. A votação na Câmara dos Comuns, realizada pelas 22h00, foi de 328 votos a favor e 301 contra, uma margem de 27.
O voto destes "rebeldes" conservadores foi determinante para a derrota do governo, que ao início da tarde perdeu a maioria parlamentar depois de o deputado Phillip Lee ter abandonado os Conservadores e se ter juntado aos Liberais Democratas.
O primeiro-ministro já tinha deixado claro que os dissidentes do seu partido que votassem a favor da legislação seriam expulsos e proibidos de se recandidatarem pelo mesmo círculo eleitoral nas próximas eleições.
Segundo a agência Reuters, a deputada conservadora Andrea Leadsom disse entretanto que os conservadores dissidentes têm uma "nova oportunidade" de se manterem no partido se estiverem do lado do governo nas votações de quarta-feira.
Além dos "rebeldes" conservadores, a moção foi apoiada pela oposição ao Governo, nomeadamente o Partido Trabalhista, Liberais Democratas, os nacionalistas escoceses e galeses do SNP e Plaid Cymru e independentes.
Eleições antecipadas
Boris Johnson alertou que o projeto de lei que será votado na próxima quarta-feira poderá "destruir" um possível acordo com Bruxelas, alimentando um cenário de "mais tremor, mais atraso, mais confusão".
"Significaria que a própria UE seria capaz de decidir por quanto tempo manterá este país na UE", acrescentou o primeiro-ministro britânico. "E como eu me recuso a seguir esse plano, teremos que fazer uma escolha", anunciou.
Boris Johnson apresentou, assim, uma moção para eleições antecipadas ao anunciar que "se a Câmara aprovar este projeto de lei, o povo deste país terá de escolher quem vai a Bruxelas [ao Conselho Europeu] em 17 de outubro para resolver isto e levar este país para a frente".
O líder do governo reitera que este não era um caminho que pretendia seguir, mas defende que talvez seja "a única maneira de resolver isto".
Dirigindo-se a Jeremy Corbyn, o primeiro-ministro insinuou que o líder da oposição "anda a implorar por uma eleição há dois anos".
"Ele tem apoiantes lá fora a pedir eleições. Eu não quero eleições, mas se os deputados votarem amanhã [quarta-feira] para interromper as negociações e obrigar a outro atraso inútil do Brexit, potencialmente por anos, esta será a única maneira de resolver isso", afirmou Johnson.
"Ele tem apoiantes lá fora a pedir eleições. Eu não quero eleições, mas se os deputados votarem amanhã [quarta-feira] para interromper as negociações e obrigar a outro atraso inútil do Brexit, potencialmente por anos, esta será a única maneira de resolver isso", afirmou Johnson.
O líder dos trabalhistas, o principal partido da oposição, respondeu a Boris que "se ele quer apresentar uma proposta para uma eleição geral, muito bem. Deixe passar a lei primeiro para descartar uma saída sem acordo".
Para poder convocar eleições antecipadas, o primeiro-ministro precisa do voto favorável de dois terços dos deputados, dependendo, assim, da ajuda do Partido Trabalhista.
Para poder convocar eleições antecipadas, o primeiro-ministro precisa do voto favorável de dois terços dos deputados, dependendo, assim, da ajuda do Partido Trabalhista.
c/Lusa