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Brexit. Negociações vão ser prolongadas
As negociações entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido para se alcançar um acordo pós-Brexit, que recomeçaram sexta-feira, vão continuar nos próximos dias. O prazo previsto era este domingo, mas ainda não há um entendimento final sobre a futura relação entre as partes.
As negociações entre Bruxelas e Londres vão continuar, contrariamente ao inicialmente previsto. O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao final da manhã deste domingo.
"Apesar da exaustão após quase um ano de negociações, e apesar do facto de se terem falhado consecutivos prazos, ambos pensamos ser responsável neste preciso momento fazer um derradeiro esforço", comunicou a presidente do executivo comunitário.
Depois de uma conversa telefónica entre o primeiro-ministro britânico e a presidente da Comissão Europeia esta manhã, as duas partes chegaram a acordo e decidiram prolongar as negociações, a menos de três semanas do final do ano e do período de transição.
Boris Johnson e Von der Leyen consideram que é necessário um "último esforço" e que ainda há tempo para alcançarem um acordo de parceria económica e política, embora sem se comprometerem com novas datas.
"Mandatámos os nossos negociadores para continuar as negociações e ver se um acordo pode ser alcançado, mesmo nesta fase tardia", anunciam num comunicado conjunto.
Apontando que a conversa telefónica mantida hoje ao final da manhã, durante a qual discutiram "as principais questões em aberto", foi "útil e construtiva", os dois dirigentes não adiantam, todavia, se foram alcançados nos últimos dias progressos nos três dossiês que têm impedido que as partes fechem um acordo: pescas, questões de concorrência e resolução de litígios.
Entretanto, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, aplaudiu a decisão da de prolongar as negociações. Michel, que preside as cúpulas da União Europeia, disse à France Inter Radio: "Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que um acordo seja possível. Devemos apoiar um bom acordo".
O presidente do Conselho Europeu disse ainda que a União Europeia ia manter a "compostura", quando estivesse perto um acordo.
"Queremos preservar, proteger o mercado único. Somos razoáveis. Queremos manter relações estreitas (com a Grã-Bretanha)", concluiu.
Embora as negociações tenham recomeçado na sexta-feira, em Bruxelas, e o prazo estabelecido para alcançar um acordo fosse este domingo, já era expectável que não acontecesse, apesar de todos os esforços dos negociadores nos últimos dias.
O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, já tinha afirmado anteriormente que o Reino Unido precisava que a UE mudasse de posição em duas questões.
"Queremos ser tratados como qualquer outra democracia independente que se preze. Se a UE pode aceitar isso num nível político, então há todos os motivos para estar confiante, mas ainda há, eu acho, um longo caminho a percorrer", disse à Sky News.
"Queremos ser tratados como qualquer outra democracia independente que se preze. Se a UE pode aceitar isso num nível político, então há todos os motivos para estar confiante, mas ainda há, eu acho, um longo caminho a percorrer", disse à Sky News.
Com o novo alargamento do prazo para terminarem as negociações, mantém-se as divergências e continua a não haver acordo de livre comércio, comprometendo a relação futura entre Londres e Bruxelas.
O correspondente da RTP em Bruxelas, Duarte Valente, fala numa "indecisão dos negociadores" de ambos os lados. Contudo, não se sabe os detalhes das divergências que impedem que cheguem a acordo, sendo por isso o desfechos das negocições imprevisivel.
O correspondente da RTP em Bruxelas, Duarte Valente, fala numa "indecisão dos negociadores" de ambos os lados. Contudo, não se sabe os detalhes das divergências que impedem que cheguem a acordo, sendo por isso o desfechos das negocições imprevisivel.
Iniciadas em março, as negociações afinal vão então prosseguir entre as equipas de negociação lideradas por Michel Barnier, do lado europeu, e David Frost, do lado britânico, que hoje mesmo estiveram reunidos de manhã na sede do executivo comunitário, em Bruxelas, até ao telefonema entre a presidente da Comissão e o chefe de Governo britânico.
Apesar de novo prolongamento, as negociações não podem prolongar-se por mais de alguns dias, já que um eventual acordo tem de ser ainda ratificado – designadamente pelo Parlamento Europeu – antes de entrar em vigor, em 1 de janeiro de 2021.
Apesar de novo prolongamento, as negociações não podem prolongar-se por mais de alguns dias, já que um eventual acordo tem de ser ainda ratificado – designadamente pelo Parlamento Europeu – antes de entrar em vigor, em 1 de janeiro de 2021.
O Reino Unido abandonou a UE a 31 de janeiro, tendo entrado em vigor medidas transitórias que caducam no próximo dia 31.
Na ausência de um acordo, as relações económicas e comerciais entre o Reino Unido e a UE passam a ser regidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e com a aplicação de taxas aduaneiras e quotas de importação, para além de mais controlos alfandegários e regulatórios. Para além das pescas, mantêm-se as divergências entre Londres e Bruxelas sobre questões de concorrência e de resolução de litígios.
Na ausência de um acordo, as relações económicas e comerciais entre o Reino Unido e a UE passam a ser regidas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e com a aplicação de taxas aduaneiras e quotas de importação, para além de mais controlos alfandegários e regulatórios. Para além das pescas, mantêm-se as divergências entre Londres e Bruxelas sobre questões de concorrência e de resolução de litígios.