Britânico libertado de Guantanamo acusa EUA de tortura e homicídio
Um britânico libertado na semana passada da base de Guantanamo, em Cuba, acusou os norte-americanos de o terem torturado e indicou ter testemunhado a morte de outros detidos em interrogatórios, revela hoje o Independent on Sunday.
Segundo o jornal, Moazzam Begg, 36 anos, que foi detido no Paquistão em 2002, sublinhou ter sido interrogado mais de 250 vezes durante a sua detenção.
Os interrogatórios começaram na base norte-americana de Bagram, no Afeganistão, prosseguindo no centro de detenção de Camp Delta na base norte-americana de Guantanamo, no sul de Cuba.
Durante os interrogatórios não paravam os maus tratos, com golpes, particularmente na cabeça, tapada por um capuz fechado e sufocante, explicou o antigo prisioneiro, que garantiu ter visto dois espancamentos fatais durante o tempo que esteve detido.
"Dois desses espancamentos acabaram com a morte de dois detidos em Junho e Dezembro de 2002. Testemunhei esses dois", afirmou Moazzam Begg, que sublinha que a confissão que assinou em Guantanamo lhe foi "arrancada" pelos norte-americanos.
O testemunho deste antigo prisioneiro, citado pelo Independent on Sunday, tem 25 páginas, redigidas enquanto esteve colocado em isolamento em Guantanamo por refutar as acusações dos governos norte- americano e britânico sobre as suas actividades terroristas.
Moazzam Begg chegou à Grã-Bretanha terça-feira na companhia de três outros detidos libertados pelos norte-americanos, Richard Belmar, Martin Mubanga e Feroz Abbasi.
A família de Moazzam Begg, pai de quatro filhos, um dos quais nascido durante a sua detenção, sempre clamou pela sua inocência.