Cultura
"Bronzes do Benim". Alemanha vai devolver artefactos roubados à Nigéria
As autoridades alemãs competentes e os principais museus do país, reunidos no Grupo de Diálogo do Benim, acordaram devolver permanentemente à Nigéria os chamados bronzes de Benim, pilhados durante a era colonial. A Alemanha pretende entregar o primeiro artefacto, roubado por soldados britânicos no século XIX, já em 2022, segundo anunciou esta sexta-feira a ministra da Cultura, Monika Grütters.
Monika Grütters classificou, esta sexta-feira, a declaração conjunta sobre a futura gestão dos bronzes do Benim nos museus alemães como um "marco histórico" na "responsabilidade histórica e moral" da Alemanha com o seu passado colonial.
"Estamos a enfrentar a nossa responsabilidade histórica e moral de iluminar o passado colonial da Alemanha", afirmou a ministra alemã da Cultura num comunicado.
"A forma como agimos com os 'bronzes do Benin' é um marco histórico. Pretendemos que haja o máximo de transparência possível e, acima de tudo, restituições substanciais. Estamos a planear as primeiras devoluções para 2022".
Agora, depois de líderes culturais e políticos alemães terem chegado a um acordo para devolver as obras de arte à Nigéria, o próximo passo será a elaboração de um roteiro para o retorno das peças ao país de origem, que deverá estar concluído nos próximos meses.
"Estamos a enfrentar a nossa responsabilidade histórica e moral de iluminar o passado colonial da Alemanha", afirmou a ministra alemã da Cultura num comunicado.
"A forma como agimos com os 'bronzes do Benin' é um marco histórico. Pretendemos que haja o máximo de transparência possível e, acima de tudo, restituições substanciais. Estamos a planear as primeiras devoluções para 2022".
Estas obras de arte foram roubadas no século XIX e estão atualmente em exposição em vários museus na Alemanha.
A maioria foi pilhada em 1897, pelas forças britânicas durante uma expedição militar ao território onde é atualmente a Nigéria. As placas e esculturas metálicas do século XVI-XVIII que decoravam o palácio real do reino do Benim estão entre as obras de arte africanas mais conceituadas.
Atualmente, estes artefactos estão espalhadas por vários museus europeus. A maior coleção de bronzes de Benin está no Museu Britânico, mas cerca de 1.100 artefactos foram parar a museus alemães em Hamburgo, Stuttgart, Leipzig e Dresden. O Museu Etnológico de Berlim, por exemplo, possui cerca de 530 artefactos do reino do Benim, incluindo cerca de 440 bronzes.
Agora, depois de líderes culturais e políticos alemães terem chegado a um acordo para devolver as obras de arte à Nigéria, o próximo passo será a elaboração de um roteiro para o retorno das peças ao país de origem, que deverá estar concluído nos próximos meses.
Monika Grütters admite ter ficado "feliz e grata" com o acordo dos chefes dos museus alemães, ministros regionais da Cultura e representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros, durante uma reunião virtual na quinta-feira, para "desenvolver uma posição consensual na Alemanha para alcançar um entendimento comum com o lado nigeriano".
"Desta forma queremos contribuir para a compreensão e reconciliação com os descendentes do povo que teve os seus tesouros culturais saqueados durante a era colonial", sublinhou.
"Desta forma queremos contribuir para a compreensão e reconciliação com os descendentes do povo que teve os seus tesouros culturais saqueados durante a era colonial", sublinhou.
"Ponto de viragem"
A Alemanha vai ser o primeiro país a devolver à Nigéria obras de arte roubadas na época colonial, e vai definir um roteiro obrigatório para os aspetos legais e logísticos do processo de restituição até o final de junho, com os primeiros objetos a serem entregues em 2022, anunciou ainda a ministra.
O tratamento que se pretende dar aos bronzes de Benin, que foram para a Alemanha após terem sido saqueados pelos britânicos, e que o país planeia restituir a partir de 2022, tal como solicitado pelo governo nigeriano, "será um teste".
"O tratamento dos bronzes do Benin será um teste", afirmou a ministra.
"O tratamento dos bronzes do Benin será um teste", afirmou a ministra.
A decisão de devolver os artefactos ao país de orgirm foi impulsionada por alguns Estados federais alemães que anunciaram que o fariam de forma independente se não houvesse um acordo conjunto. A decisão também foi facilitada pelo facto de os bronzes de Benin poderem ser devolvidos a um órgão politicamente neutro, o recém-fundado Legacy Restoration Trust.
Segundo o Guardian, os bronzes de Benin devem ficar, no futuro, no Museu Edo de Arte da África Ocidental, um novo museu na cidade de Benin. Além disso, a Alemanha compromete-se a ajudar a financiar um pavilhão para receber alguns artefatos restaurados até que o museu fique concluído em 2025.
"A decisão ousada da Alemanha de devolver as artes clássicas roubadas do reino de Benin aos seus legítimos proprietários é definitivamente aplaudida e é o correto", disse ao jornal britãnico Victor Ehikhamenor, um artista nigeriano e administrador do Legacy Restoration Trust. "Este é um grande passo para corrigir o que está errado, especialmente vindo de um país que foi uma grande potência na colonização. A Alemanha abriu caminho para outros países ocidentais que procuram a maneira certa de lidar com os casos de restituição".
Segundo o Guardian, os bronzes de Benin devem ficar, no futuro, no Museu Edo de Arte da África Ocidental, um novo museu na cidade de Benin. Além disso, a Alemanha compromete-se a ajudar a financiar um pavilhão para receber alguns artefatos restaurados até que o museu fique concluído em 2025.
"A decisão ousada da Alemanha de devolver as artes clássicas roubadas do reino de Benin aos seus legítimos proprietários é definitivamente aplaudida e é o correto", disse ao jornal britãnico Victor Ehikhamenor, um artista nigeriano e administrador do Legacy Restoration Trust. "Este é um grande passo para corrigir o que está errado, especialmente vindo de um país que foi uma grande potência na colonização. A Alemanha abriu caminho para outros países ocidentais que procuram a maneira certa de lidar com os casos de restituição".
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, considerou o acordo para a restituição de bens culturais um "ponto de viragem" na relação do país com a sua história colonial.
Maas acrescentou que a questão da cooperação museológica com África passou a fazer parte da agenda política da Alemanha, que tem procurado o diálogo com os seus parceiros nigerianos, os arquitetos e promotores do Museu do Benim.
Entretanto, uma lista detalhada de todos os bronzes beninenses na posse dos museus alemães deverá ser publicada até 15 de junho. Em seguida, as peças irão ser documentadas e a sua proveniência será tornada pública.
Maas acrescentou que a questão da cooperação museológica com África passou a fazer parte da agenda política da Alemanha, que tem procurado o diálogo com os seus parceiros nigerianos, os arquitetos e promotores do Museu do Benim.
Entretanto, uma lista detalhada de todos os bronzes beninenses na posse dos museus alemães deverá ser publicada até 15 de junho. Em seguida, as peças irão ser documentadas e a sua proveniência será tornada pública.