Bruxelas admite crise de preços da energia e sugere medidas de poupança aos Governos

Bruxelas admite crise de preços da energia e sugere medidas de poupança aos Governos

Numa carta a que a RTP Antena 1 teve acesso, o Comissário da Energia pede a todos os ministros da energia dos Estados-membros da União Europeia a apelar à redução do consumo de gás e eletricidade.

Andrea Neves, RTP Antena 1, Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
Foto: Artur Widak / NurPhoto via AFP

O Comissário da Energia, Dan Jorgense, refere que "embora o armazenamento de gás da UE seja excecionalmente baixo e a situação continue a ser desafiante, não existem atualmente riscos imediatos para a segurança do abastecimento". 

"O mercado interno de energia da UE continua a ser um ativo fundamental que contribui para o elevado nível de resiliência do sistema energético da UE. A dependência da UE em relação aos combustíveis fósseis importados expõe-nos à turbulência global da geopolítica energética" pode ler-se na carta a que a RTP Antena 1 teve acesso.

Dan Jorgensen refere que "a situação é também muito diferente da do inverno de 2021, e estamos coletivamente muito mais bem preparados, graças ao desenvolvimento de novas capacidades significativas de importação de GNL, ao aumento constante da capacidade eólica e solar e à redução da procura de gás".
O Comissário da Energia escreveu uma carta a todos os ministros da energia dos Estados-membros da União Europeia em que refere que a subida de preços está "ligada a uma crise de oferta".
No entanto, com o aproximar do inverno, o Comissário quer que os 27 avancem com trabalhos de preparação e sugere "aproveitar a flexibilidade proporcionada pelo Regulamento de Armazenamento de Gás e reduzir a meta de enchimento para 80% pode ajudar a aliviar a pressão imediata sobre os preços e os custos de reabastecimento". 

"Contudo, e quando pertinente, convido-vos a considerar a adoção ou a continuação de medidas que possam sustentar as injeções ou reduzir a procura de gás e eletricidade pelo tempo que for necessário, refere o comissário. 
No contexto de uma oferta global restrita e de uma elevada volatilidade dos preços, a redução da procura pode ser uma ferramenta eficaz para ajudar a conter os preços. Medidas voluntárias e bem planeadas de redução da procura revelaram-se úteis durante a crise energética de 2022, e podemos aproveitar as lições desta experiência para lidar com a situação actual.

O Comissário da Energia sugere, por exemplo "reduzir o consumo de electricidade durante as horas de ponta pode diminuir directamente a procura de gás" e ainda "limitar as temperaturas nos edifícios públicos, impedir o aquecimento exterior e desligar a iluminação pública desnecessária durante a noite podem também ajudar a reduzir a procura de energia e a aliviar a pressão sobre a procura de gás para a geração de energia".

"Além disso, os seus Planos de Acção Preventiva e Planos de Emergência nacionais incluem medidas adicionais que podem ser activadas, se necessário, tais como contratos de gás interrompíveis ou substituição de combustível na geração de energia".

"A acessibilidade energética é um pilar da nossa política energética e várias medidas nacionais visam ajudar os cidadãos e as empresas da UE mais vulneráveis ​​a lidar com a situação atual. Quaisquer medidas que regulem os preços devem ser definidas com cuidado. Devem ser bem direccionadas e temporárias, para que não conduzam a efeitos indesejáveis, como a manutenção de uma procura de gás desnecessária ou mesmo crescente, impactos negativos transfronteiriços ou distorções no mercado interno".

É importante realçar que estas medidas necessitam, na medida do possível, de reforçar a resiliência futura da UE. Continuaremos a monitorizar a situação de perto e a coordenar as ações através do Grupo de Coordenação do Gás e de intercâmbios bilaterais". 

A carta foi dirigda aos ministros da energia dos 27 países da União Europei.
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