Bruxelas "lamenta profundamente" incêndio em campo de Lesbos

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje "lamentar profundamente" o incêndio no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos, assegurando que a União Europeia (UE) está "pronta para apoiar" a Grécia.

Lusa /

"Lamento profundamente os acontecimentos de ontem [terça-feira] à noite no campo de refugiados de Moria, na Grécia. O meu colégio [de comissários] foi informado esta manhã e pedi ao vice-presidente Margaritis Schinas para viajar para a Grécia o mais depressa possível", anuncia Ursula von der Leyen, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

"Estamos prontos a apoiar [a Grécia], juntamente com os Estados-membros", acrescenta a líder do executivo comunitário, notando que "a prioridade" da UE é "garantir a segurança dos que ficam sem abrigo".

Também hoje, em comunicado, o Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO) indica que "várias das suas instalações no campo de Moria [...] foram destruídas" no fogo desta noite, sem haver para já registo de vítimas.

"A agência expressa a sua total solidariedade para com aqueles que foram atingidos, muitos gravemente", adianta o EASO na nota.

O Governo grego anunciou hoje que vai declarar estado de emergência na ilha de Lesbos, na sequência do incêndio no campo de refugiados de Moria, que destruiu praticamente todo o local e deixou cerca de 13.000 desabrigados.

As autoridades decidiram ainda proibir todas as pessoas que viviam em Moria de deixar a ilha para evitar uma possível disseminação do coronavírus que provoca a covid-19, avançou o porta-voz do Governo, Stelios Petsas.

O incêndio foi detetado depois de ter sido anunciado que 35 pessoas do campo tinham obtido resultado positivo no teste para deteção da infeção da covid-19 e que iriam ser transferidas para uma área especial de isolamento.

O fogo está já controlado, mas os bombeiros tiveram muitos problemas para o combater durante a madrugada, não só porque ocorreram várias explosões, mas porque grupos de refugiados os atacaram com pedras, informou a imprensa local.

Também hoje através do Twitter, a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, anunciou que a Comissão Europeia irá financiar a transferência e alojamento para a parte continental da Grécia dos 400 menores não acompanhados que permanecem no campo de refugiados de Moria.

"Já concordei em financiar a deslocação imediata e o alojamento no continente das 400 crianças e adolescentes desacompanhados que permanecem [no campo]. A prioridade é dar segurança e abrigo a todas as pessoas de Moria", disse a comissária.

Moria é o maior campo de refugiados da Europa e aquele que tem piores condições, já que alberga cerca de quatro vezes mais pessoas do que a sua capacidade.

Situado na ilha grega de Lesbos, foi alvo de vários incêndios que deflagraram esta madrugada, após confrontos entre os cerca de 13 mil migrantes, segundo as autoridades.

Até agora não há informação de vítimas, numa altura em que os bombeiros continuam sem conseguir aceder às tendas e contentores de alojamento.

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