Bruxelas quer diagnosticar a tempo doenças cardiovasculares para evitar morte de 1,7 milhões de pessoas todos os anos

Bruxelas quer diagnosticar a tempo doenças cardiovasculares para evitar morte de 1,7 milhões de pessoas todos os anos

Antes do Dia Mundial do Coração e para assinalar o lançamento da primeira Semana Europeia do Rastreio, a Comissão Europeia adotou uma proposta de recomendação do Conselho sobre os controlos de saúde cardiovasculares.

Andrea Neves - RTP Antena 1, Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
RTP

O objetivo é salvaguardar a saúde dos cidadãos europeus, melhorando a deteção precoce e o rastreio e, em última análise, reduzir as mortes prematuras por doenças cardiovasculares.

As doenças cardiovasculares tiram 1,7 milhões de vidas todos os anos, têm um impacto significativo nos sistemas de saúde e custam à economia da UE mais de 282 mil milhões de euros por ano.

Os sinais de risco e as atitudes que potenciam as doenças cardiovasculares

“Se não agirmos de acordo com as tendências atuais, estas doenças vão duplicar. Assim, teremos o dobro das pessoas a sofrer de doenças cardiovasculares até 2050. Observamos também que quase metade da população europeia tem hipertensão arterial, mas metade dos afetados nem sequer sabe disso” explicou o Comissário para a Saúde.

“A diabetes apresenta um cenário semelhante. Na última década, a proporção de pessoas com diabetes aumentou 22% na Europa. Em alguns países, uma em cada quatro pessoas nem sequer sabe que tem a doença”.

Mas Olivér Várhelyi quer uma atenção especial para os mais novos.

“Cerca de 20% dos jovens têm excesso de peso ou são obesos, e 9% das crianças e adolescentes da UE já vivem com obesidade. No entanto, menos de um em cada cinco rapazes e menos de uma em cada dez raparigas entre os 5 e os 17 anos atingem os níveis de atividade física recomendados. E sabemos também que os jovens passam, em média, quatro horas por dia em frente aos ecrãs, chegando às seis horas aos fins de semana”.

Mas há mais números a considerar: o consumo de tabaco e de nicotina está a aumentar, especialmente entre os jovens. Na verdade, de acordo com os números da Comissão Europeia, quando se trata de jovens dos 15 aos 19 anos, mais de um em cada seis referiu já ter fumado cigarros no mês anterior. E, entre eles, cerca de um em cada cinco começou com cigarros eletrónicos. E quando se trata de vaporizadores, o cenário é ainda mais preocupante. O uso entre os jovens é duas vezes superior ao da população em geral”.

“Estes números realçam a urgência da prevenção e, claro, da deteção precoce. Precisamos de ajudar as pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis desde cedo e a identificar os riscos mais cedo, garantindo que a deteção conduz a um tratamento atempado” defende o comissário.

Bruxelas defende que 80 % das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas combatendo fatores de risco como a pressão arterial elevada, o colesterol, o açúcar elevado no sangue e a obesidade.
“Os exames de saúde podem salvar e transformar vidas ao identificar precocemente os riscos e as doenças cardiovasculares, permitindo que as pessoas recebam o aconselhamento e o tratamento adequados no momento certo”.
 
“Durante muito tempo, a assistência médica concentrou-se principalmente no tratamento das pessoas depois de adoecerem” reforçou Olivér Várhelyi, “não nos podemos dar ao luxo de depender deste como o nosso modelo padrão. Não mais. E não para os cidadãos, não para as suas famílias e não para a sustentabilidade dos nossos sistemas de saúde”.

Bruxelas defende rastreios e exames que ajudem as pessoas a compreender o seu risco cardiovascular, incluindo através da medição da tensão arterial, do colesterol e da glicemia.
“Sabemos que o risco cardiovascular não está distribuído de forma uniforme. Alguns grupos apresentam maior risco devido à idade, história clínica, determinantes sociais ou barreiras de acesso.

A recomendação estabelece ainda uma abordagem clara e direcionada para as diferentes fases da vida.

A idade – mas não só - como fator de prevenção 

Os jovens adultos com menos de 35 anos devem, pelo menos, verificar a sua saúde uma vez a cada cinco anos, incluindo a tensão arterial, o colesterol e a glicemia, com um acompanhamento mais individualizado em casos de antecedentes familiares ou outros fatores de risco. É o que defende a proposta apresentada hoje pela Comissão Europeia.

Bruxelas sugere ainda que os adultos entre os 35 e os 64 anos realizem exames sistemáticos pelo menos de cinco em cinco anos, e com maior frequência quando os riscos são mais elevados. 

Os adultos com mais de 65 anos devem verificar os seus indicadores a cada três a cinco anos, com avaliação adicional quando apropriado.

“Mas a idade é apenas parte do panorama geral. O risco cardiovascular é também influenciado pelo historial clínico e pelas circunstâncias sociais. Sabemos também que a adesão à prevenção pode ser menor nas comunidades carenciadas” recordou o Comissário da Saúde esta tarde em Bruxelas.

“Por isso, exames de saúde acessíveis e inclusivos são essenciais para esta recomendação, com especial atenção às pessoas com maior risco e aos grupos vulneráveis. Para garantir o acesso equitativo, as farmácias, os centros comunitários e as unidades móveis de saúde podem desempenhar um papel importante, particularmente no alcance das comunidades carenciadas, uma vez que a prevenção não se pode tornar um privilégio”.

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