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Buraco de ozono cresce para dimensão superior à da Antártida e aproxima-se de níveis recorde
O buraco de ozono sobre a Antártida atingiu já cerca de 25 milhões de quilómetros quadrados, uma área significativamente superior aos 14,2 milhões de quilómetros quadrados do continente antártico, aproximando-se dos valores históricos registados em 2006, quando foi observado o maior buraco de ozono desde o início das medições, com 29,6 milhões de quilómetros quadrados.
Há muito que se fala sobre o buraco de ozono que se forma na região antártica. Contudo, e devido à constante flutuação do tamanho deste fenómeno que ocorre na atmosfera terrestre, a preocupação sobre o mesmo atenuou-se dentro das preocupações ambientais. Mas o risco permanece e dá sinais de graves consequências.
Atualmente, o buraco do ozono que se situa sobre a região antártica registou nos últmos 40 dias um crescimento elevado, registando o Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS), durante as primeiras semanas de setembro, que este buraco na atmosfera atingiu uma dimensão estimada de 25 milhões de quilómetros quadrados no dia 12 de setembro. Um valor cerca de cinco milhões de quilómetros quadrados acima da média para esta época do ano o que coloca o fenómeno entre os mais significativos das últimas décadas.
Um alerta mundial lançado no Dia Internacional das Nações Unidas para a Preservação da Camada de Ozono, onde os especialistas destacam que o desenvolvimento do buraco de ozono em 2026 tem sido consistente com os padrões observados ao longo dos últimos 46 anos. No entanto, o aumento registado durante a primeira metade de setembro revelou-se particularmente rápido, impulsionado por uma descida brusca das temperaturas na estratosfera sobre o Polo Sul.
No final de agosto, a área afetada já tinha alcançado 15 milhões de quilómetros quadrados, ultrapassando a dimensão total da Antártida. Poucas semanas depois, o buraco de ozono expandiu-se para uma área quase duas vezes superior à do continente gelado.
De acordo com o CAMS, as baixas temperaturas na estratosfera favoreceram a formação de nuvens estratosféricas polares, um elemento fundamental no processo químico de destruição do ozono quando exposto à luz solar durante a primavera austral. O rápido crescimento coincidiu precisamente com uma queda acentuada da temperatura a cerca de 20 quilómetros de altitude sobre o Polo Sul.
Apesar da expansão da área afetada, outros indicadores monitorizados pelo serviço europeu, como o valor mínimo da coluna de ozono e o défice de massa de ozono, mantêm-se próximos das médias históricas, sugerindo que a intensidade global do fenómeno ainda não se encontra nos níveis mais extremos já observados.
Laurence Rouil, diretor do CAMS, sublinha que a evolução do buraco de ozono varia significativamente de ano para ano devido à combinação de fatores atmosféricos e químicos. O responsável considera que os dados reforçam a necessidade de manter uma monitorização contínua para compreender a interação entre as alterações provocadas pela atividade humana e os processos naturais que influenciam a recuperação da camada de ozono.
A camada de ozono funciona como um escudo natural contra a radiação ultravioleta nociva proveniente do Sol, ajudando a proteger a saúde humana e os ecossistemas. Embora os sinais de recuperação observados nos últimos anos sejam encorajadores, os cientistas recordam que o maior buraco de ozono alguma vez registado atingiu os 29,6 milhões de quilómetros quadrados em setembro de 2006, um valor do qual o fenómeno observado este ano ainda se encontra relativamente próximo.
Como é que o aquecimento global influencia o buraco de ozono?
À primeira vista, poderia parecer que um planeta mais quente ajudaria a reduzir o problema. No entanto, acontece precisamente o contrário na estratosfera, a camada da atmosfera onde se encontra a maior parte do ozono.
Quando os gases com efeito de estufa aumentam na atmosfera, eles aquecem a troposfera (a camada mais próxima da superfície terrestre), mas provocam um arrefecimento da estratosfera. Esse ar mais frio cria condições favoráveis para a formação das chamadas nuvens estratosféricas polares.
Como é que o aquecimento global influencia o buraco de ozono?
À primeira vista, poderia parecer que um planeta mais quente ajudaria a reduzir o problema. No entanto, acontece precisamente o contrário na estratosfera, a camada da atmosfera onde se encontra a maior parte do ozono.
Quando os gases com efeito de estufa aumentam na atmosfera, eles aquecem a troposfera (a camada mais próxima da superfície terrestre), mas provocam um arrefecimento da estratosfera. Esse ar mais frio cria condições favoráveis para a formação das chamadas nuvens estratosféricas polares.
As nuvens estratosféricas polares são nuvens muito raras que se formam a altitudes entre 15 e 25 quilómetros, na estratosfera, sobretudo durante o inverno polar sobre a Antártida e, ocasionalmente, sobre o Ártico.Ao contrário das nuvens "normais", feitas principalmente de gotículas de água, estas são compostas por cristais de gelo, ácido nítrico e vapor de água congelado.
Estas nuvens funcionam como verdadeiras "plataformas químicas" onde compostos contendo cloro e bromo, resultantes de substâncias destruidoras do ozono libertadas pelo ser humano no passado, se tornam altamente reativos. Quando regressa a luz solar da primavera antártica, essas substâncias desencadeiam reações químicas que destroem rapidamente o ozono.
Ou seja:
Nem todas as núvens que se formam na atmosfera terrestre são (aparentemente) inofensivas. Se os grandes blocos de algodão brancos (cumulos) apenas prenchem os céus azuis e nos trazem alguma instabilidade e chuva, outras existem que carregadas pelos fortes efeitos do vento de sul, ar quente, e combinadas pela evaporação oceânica nos trazem trovoada e chuvas intensas e por vezes granizo, provocando alguns efeitos nefastos a quem vive por debaixo delas.
Mas as núvens não se formam apenas a baixas altitudes, chegando mesmo à formação de núvens entre os dois e os seis mil metros de altitude - estratos e cirro-estratos que se formam na Troposfera. Mas há outras quase invisiveis e feitas de cristais de gelo seco, que apresentam a sua formação ainda mais acima, entre os sete até os 12 mil metros de altutude, como as núvens estratósféricas, perto da zona onde se forma a camada de ozono (entre os 15 km e os 35 km).
Se não houvesse a formação destas nuvens estratosféricas polares grande parte do cloro existente na estratosfera permaneceria em formas químicas relativamente inofensivas. Acontece que, nas superfícies dos cristais das nuvens estratosféricas polares, quando o Sol reaparece na primavera austral, ocorrem reações químicas que transformam esse cloro em formas altamente destrutivas para o ozono.
Estas nuvens funcionam como verdadeiras "plataformas químicas" onde compostos contendo cloro e bromo, resultantes de substâncias destruidoras do ozono libertadas pelo ser humano no passado, se tornam altamente reativos. Quando regressa a luz solar da primavera antártica, essas substâncias desencadeiam reações químicas que destroem rapidamente o ozono.
Ou seja:
- Mais gases com efeito de estufa → estratosfera mais fria.
- Estratosfera mais fria → mais nuvens estratosféricas polares.
- Mais nuvens → maior destruição química do ozono → buraco de ozono mais intenso ou mais persistente.
As núvens invisiveis "quimicamente negras" que contribuem para o aumento do buraco de ozono
Nem todas as núvens que se formam na atmosfera terrestre são (aparentemente) inofensivas. Se os grandes blocos de algodão brancos (cumulos) apenas prenchem os céus azuis e nos trazem alguma instabilidade e chuva, outras existem que carregadas pelos fortes efeitos do vento de sul, ar quente, e combinadas pela evaporação oceânica nos trazem trovoada e chuvas intensas e por vezes granizo, provocando alguns efeitos nefastos a quem vive por debaixo delas.
Mas as núvens não se formam apenas a baixas altitudes, chegando mesmo à formação de núvens entre os dois e os seis mil metros de altitude - estratos e cirro-estratos que se formam na Troposfera. Mas há outras quase invisiveis e feitas de cristais de gelo seco, que apresentam a sua formação ainda mais acima, entre os sete até os 12 mil metros de altutude, como as núvens estratósféricas, perto da zona onde se forma a camada de ozono (entre os 15 km e os 35 km).
Se não houvesse a formação destas nuvens estratosféricas polares grande parte do cloro existente na estratosfera permaneceria em formas químicas relativamente inofensivas. Acontece que, nas superfícies dos cristais das nuvens estratosféricas polares, quando o Sol reaparece na primavera austral, ocorrem reações químicas que transformam esse cloro em formas altamente destrutivas para o ozono.
O cloro é ativado pela luz solar e dá origem ao inicio de uma reação em cadeia, onde milhões de moléculas de ozono são destruídas.
É por isso que o buraco de ozono surge todos os anos entre agosto e novembro sobre a Antártida.
É por isso que o buraco de ozono surge todos os anos entre agosto e novembro sobre a Antártida.