Buraco negro pode estar a criar um "novo e estranho" tipo de estrelas

Um grupo de astrónomos do Galactic Center Orbits Initiative, da Universidade da Califórnia, descobriu uma nova classe de "objetos estranhos" no centro da galáxia, perto de um buraco negro supermassivo chamado Sagittarius A*.

RTP /
UCLA

No estudo publicado na revista Nature, os astrónomos descrevem seis objetos misteriosos que circulam à volta do buraco negro central da nossa galáxia. Os objetos anómalos foram descritos como bolhas ovais de gás e apelidados de G1 a G6.

Andrea Ghez, coautora da investigação, afirma que os objetos “parecem gás e comportam-se como estrelas”, capazes de passar “perigosamente perto da borda do buraco negro”, sem serem desfeitas em pedaços.

Segundo os autores do estudo, os objetos são um híbrido entre gases e estrelas, sugerindo que cada objeto é um par de estrelas binárias – duas estrelas que giram em torno uma da outra – que foram esmagadas pela gravidade do buraco negro há milhões de anos e que ainda está a derramar nuvens de gás e poeira.

Ghez diz que “aquilo que nos deixou muito entusiasmados com os objetos G é que, podemos estar perante um novo e estranho tipo de estrelas”, cita a UCLA.

A astrónoma afirma que “é possível que muitas das estrelas possam ser o produto final dessas fusões”, cita o site Space.com.

A primeira vez que este grupo de investigadores identificou um objeto incomum, conhecido como G1, no centro da Via Láctea, foi em 2005. Sete anos depois, na Alemanha, um grupo de astrónomos descobriu um outro objeto, nomeado de G2.

Em 2014, quando o G2 se aproximou do buraco negro supermassivo, foi registado um aumento do tamanho do objeto.

Os astrónomos acreditam que o G2 já foram duas estrelas distintas, que estavam a orbitar perto do buraco negro, em simultâneo. As duas estrelas acabaram por se fundir numa única, “extremamente grande” e envolta em gás e poeira, “invulgarmente espessos”.

Para testar esta hipótese, os autores do estudo estiveram, nos últimos anos, a investigar o centro da galáxia, a partir do Observatório WM Keck, no Havai.

A equipa identificou quatro novos objetos que se “encaixam no projeto, cada um seguindo um caminho orbital muito diferente em torno do Sagittarius A*”, mas que apresentam características bastante semelhantes aos objetos G1 e G2.

Os objetos encontrados parecem “nuvens compactas de gás, mas quando as suas órbitas os aproximam do buraco negro, tornam-se distorcidos e alongados, como o G2”.

Os investigadores admitem que a explicação mais provável é que os objetos G sejam um produto de estrelas binárias que foram esmagadas pela gravidade do buraco negro.

“Os buracos negros podem estar a levar a que as estrelas binárias se fundam. É possível que muitas das estrelas que estivemos a investigar possam ser o produto final de várias fusões”, disse Andrea Ghez, citada pela Sky News.

Ghez afirma que “a maneira como as estrelas binárias interagem umas com as outras e com o buraco negro é muito diferente de como estrelas únicas interagem com outras estrelas únicas e com o buraco negro”.

Embora esta seja a explicação mais adequada para os investigadores, não podem ter certeza até localizar e estudar mais estrelas binárias que possam ter sido unidas por um buraco negro.

Os autores do artigo acreditam que podem levar mais de oito anos para as encontrar.
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