Buraco negro que engole estrela de neutrões terá sido detetado pela primeira vez

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Um buraco negro que engole uma estrela de neutrões terá sido detetado pela primeira vez devido a ondas gravitacionais, anunciaram hoje cientistas.

Segundo a investigadora Susan Scott, da Universidade Nacional da Austrália, que participou no trabalho, o buraco negro "comeu" há 900 milhões de anos uma "estrela muito densa", conhecida como estrela de neutrões, "possivelmente apagando a estrela de forma imediata".

O evento, que ocorreu à distância astronómica de 8.550 milhões de biliões de quilómetros da Terra, gerou ondas gravitacionais (ondulações na curvatura espaço-tempo) captadas na quarta-feira.

Da Austrália, o telescópio SkyMapper examinou toda a região do espaço onde o fenómeno poderia ter-se produzido, mas a equipa de astrónomos não obteve nenhuma "confirmação visual".

Apesar das reticências, os primeiros resultados sugerem "a grande possibilidade" de se tratar de um buraco negro a envolver uma estrela de neutrões, o tipo de estrelas mais pequeno e denso do Universo que se conhece.

De acordo com Susan Scott, os cientistas nunca detetaram um buraco negro mais pequeno do que cinco massas solares nem uma estrela de neutrões com mais de 2,5 vezes a massa do Sol.

"Com base nesta experiência, estamos muito seguros de que o que acabámos de detetar é um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões", afirmou, citada pela agência noticiosa espanhola Efe.

A investigadora e docente da Universidade Nacional da Austrália ressalvou que "existe a pequena mas intrigante possibilidade" de o corpo celeste engolido ser um buraco negro mais pequeno do que qualquer outro que se conhece, o que, ainda assim, seria "um prémio de consolação incrível".

Os buracos negros, localizados no centro das galáxias, são regiões do Universo com uma força gravitacional tão grande que nada deixa escapar, nem mesmo a luz.

Tanto as estrelas de neutrões como os buracos negros são resquícios muito densos de estrelas mortas, assinala a Universidade Nacional da Austrália em comunicado.

As ondas gravitacionais, detetadas pela primeira vez em 2016, cem anos depois do físico Albert Einstein as ter previsto, acontecem devido a fenómenos de grande violência que geram grandes quantidades de energia, como a explosão de uma estrela ou a colisão de dois buracos negros.

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