Busca de antepassados é bom negócio para analistas de ADN

Centenas de milhar de norte-americanos paga ram cerca de 250 dólares (204 euros) para conhecer as origens dos seus antepassa dos através da análise do seu património genético, noticia hoje a imprensa.

Agência LUSA /

"O motivo principal é a curiosidade", afirma Terry Carmichael, porta-vo z da empresa GeneTree, que desde 1999 faz análises de acido desoxirribonucleico (ADN) para o público. "As pessoas querem saber de onde vieram as famílias, ligar -se às suas raízes".

A GeneTree, com sede em Salt Lake City (Utah), é uma das dezenas de emp resas que se dedicam a estas análises e que, a par do seu principal negócio (pro vas de paternidade), facturam 1.900 milhões de dólares anuais.

"Já fizemos dezenas de milhar destes testes e o mercado continua a cres cer", acrescentou Carmichael. "Os Estados Unidos são um cadinho de etnias".

Mas além da mera curiosidade pelas raízes familiares, há pessoas nos Es tados Unidos que fazem estes exames para se poderem apresentar como membros de " minorias" e requerer os privilégios que as universidades, as empresas ou o gover no concedem a grupos étnicos discriminados durante décadas.

O diário "The New York Times" cita o caso de pessoas de pele branca que se apoiam em análises de ADN para argumentar que têm antepassados africanos, "e nquanto pessoas com pele negra declaram ter antepassados europeus em processos d e direito sucessório".

Para muitos negros e negras norte-americanos, o exame do ADN não só lhe s confirmou o que suspeitavam - que tinham ascendentes brancos, provavelmente da época da escravatura - como os surpreendeu com a presença de índios americanos na sua identidade genética.

A "DNA Print Genomics", uma das empresas pioneiras nesta área, convidou na sua página na Internet os seus possíveis clientes a usar o exame de ADN "se o objectivo é validar a sua elegibilidade para aceder a universidades ao abrigo das cotas étnicas, ou para obter benefícios governamentais".

As análises genéticas dos antepassados baseiam-se na crença científica de que os primeiros humanos apareceram em África há 130.000 a 180.000 anos, de o nde emigraram há 55.000 a 70.000 anos.

Dali chegaram à Ásia, à Austrália e às ilhas do Pacífico, mais tarde à Europa e finalmente às Américas, dando origem às "linhagens" africana, americana , europeia e asiática oriental, as principais.

Quem pretende fazer análises genéticas para descobrir os antepassados r ecebe da GeneTree e das empresas congéneres uma pequena caixa com o necessário p ara a recolha de amostras, essencialmente um algodão que se passa na parte inter ior da boca.

Para determinar a percentagem no ADN de cada uma das quatro "linhagens" , o teste examina 175 polimorfismos de nucleótido simples que, segundo as empres as, mostram com alto grado de especificidade a origem étnica e geográfica das pe ssoas.

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