Bush admite "erros tácticos" dos Estados Unidos
O presidente norte-americano George W. Bush admitiu quarta-feira que os Estados Unidos cometeram "erros tácticos" no Iraque, mas afirmou que a decisão de atacar Saddam Hussein foi a correcta.
"Não existem dúvidas de que cometemos erros tácticos", afirmou Bush, numa entrevista à cadeia de televisão Fox News, na véspera das eleições legislativas no Iraque.
Bush evocou como decisões desajustadas o treino das forças iraquianas, a escolha inicial de grandes projectos de reconstrução em vez de acções com "efeito imediato na vida das pessoas", e a necessidade de colocar em prática, mais rápido que o previsto, a transferência de soberania para os iraquianos após a guerra.
"A estratégia continua a ser a mesma, mas as tácticas mudaram, em função das condições no terreno", afirmou.
Quanto ao derrube de Saddam Hussein, "tomei uma boa decisão", apesar dos factos terem desmentido a existência de armas de destruição em massa, que antes da guerra serviram para justificar a entrada no Iraque, indicou.
"Sabendo o que sei hoje teria tomado a mesma decisão", assegurou o presidente norte-americano.
Bush rejeitou ainda as acusações segundo as quais a sua administração utilizou deliberadamente falsas informações para legitimar a guerra.
O presidente norte-americano aproveitou ainda a entrevista para desvalorizar o número, por si avançado num discurso pronunciado segunda-feira, de que 30.000 iraquianos morreram desde a invasão do Iraque em Março de 2003.
"É um número que tem aparecido na imprensa. Os 30.000 iraquianos, devo dizer-vos, é especulativo. Não creio que quem quer que seja conheça o número exacto", adiantou.