Bush apela a rápido estacionamento da força da ONU no Líbano

O presidente norte-americano, George W. Bush, apelou ao rápido estacionamento de uma força internacional no Líbano, para ajudar a manter o frágil cessar-fogo no sul do país.

Agência LUSA /
"Os Estados Unidos farão a sua parte", declarou o presidente dos EUA EPA

Numa conferência de imprensa na Casa Branca, Washington, Bush admitiu também que a guerra no Iraque, com atentados bombistas diários e mais de 2.600 vítimas fatais norte-americanas até hoje, exerce "tensões sobre a psique" dos Esta dos Unidos.

"Por vezes fico frustrado. Raramente surpreendido. As guerras não são tempos de alegria", disse o presidente, considerando que "se vivem tempos desafiadores e difíceis".

Bush abriu a conferência de imprensa com uma declaração sobre ajuda humanitária e uma força internacional de interposição para o sul do Líbano.

"A comunidade internacional deve agora designar o comando desta nova força internacional, atribuir-lhe regras robustas de compromisso e estacioná-la tão rapidamente quanto possível para garantir a paz", referiu Bush.

Notou que a força internacional ajudaria a impedir a organização radical xiita Hezbollah de agir como um "Estado dentro de um Estado".

"Os Estados Unidos farão a sua parte", declarou o presidente, sublinhando contudo que Washington não planeia contribuir com tropas, mas sim com apoio logístico, assistência de comando e controlo e informação.

Bush declarou esperar que a França, que desempenhou um papel importante na elaboração da resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizando a força de dissuasão, envie mais tropas para o Líbano.

Anunciou que os Estados Unidos vão contribuir com mais 230 milhões de dólares (178 milhões de euros) para ajudar os libaneses a reconstruir as suas casas e regressar às suas terras.

Referindo-se ao Iraque, Bush sublinhou que, caso o governo de Bagdad falhe, o país pode transformar-se num "abrigo seguro para terroristas e extremistas" e dar aos insurrectos rendimentos das vendas de petróleo.

"Ouço falar muito sobre guerra civil. Estou preocupado com isso, é claro, e falei com muitas pessoas sobre isso. E o que descobri nas minhas conversas é que os iraquianos querem um país unificado. E que a liderança iraquiana está determinada a conter os esforços dos extremistas e dos radicais", disse o presidente norte-americano.

Quanto ao Irão, Bush disse que os Estados Unidos estão a obter indicações de uma eventual resposta positiva de Teerão a apelos internacionais para que abandone as suas ambições nucleares.

Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em Julho, exorta Teerão a suspender o enriquecimento de urânio até 31 de Agosto, sem o que enfrentará sanções económicas e diplomáticas.

"Estamos a começar a obter algumas indicações, mas aguardaremos até ter mos uma resposta formal", referiu.

O Irão declarou domingo que dará terça-feira uma "resposta multifacetada" a um pacote de incentivos ocidental visando persuadir Teerão a suspender o se u programa nuclear, mas insistiu que não cessará totalmente as suas actividades de enriquecimento de urânio.

O líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, disse segunda-feira que Teerão continuará a desenvolver tecnologia nuclear, apesar do prazo fixado pela ONU.

Bush afirmou também estar perturbado por tantos candidatos à Câmara de Representantes e ao Senado dos Estados Unidos estarem a apelar para uma retirada das forças norte-americanas do Iraque.

"Seria errado, em minha opinião, deixar [o Iraque] antes da missão estar completada", declarou Bush.

Mais de 3.500 iraquianos foram mortos em Julho, no maior número de baixas civis desde o início da guerra no Iraque.

Bush disse ainda ter falado segunda-feira de manhã com o presidente chinês, Hu Jintao, sobre a tentativa de relançar negociações visando convencer a Coreia do Norte a desistir das suas ambições nucleares.


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