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Bush assume responsabilidade no desastre provocado pelo Katrina

Bush assume responsabilidade no desastre provocado pelo Katrina

O presidente norte-americano, George W. Bush, admitiu, pela primeira vez desde a passagem do ciclone Katrina há mais de duas semanas pelo sul dos Estados Unidos, ter parte da responsabilidade na lentidão do socorro prestado às vítimas.

Agência LUSA /

"O Katrina expôs problemas graves na nossa capacidade de resposta, a todos os níveis do governo. E, quanto ao governo federal, que não fez totalmente o seu trabalho, eu assumo essa responsabilidade", declarou o presidente à imprensa em Washington.

"Quero saber o que correu bem e o que correu mal", acrescentou, sublinhando nomeadamente a necessidade de uma melhor coordenação entre as autoridades federais, estaduais e locais, para que os Estados Unidos fiquem mais bem preparados para um eventual atentado ou outro grande ciclone.

O presidente, que proferirá quinta-feira à noite, no Estado da Luisiana, um discurso à Nação sobre o furacão Katrina, a resposta das autoridades e a reconstrução, chamou a atenção para o trabalho feito no terreno pelas equipas de socorro, "que estiveram na linha da frente a salvar vidas" desde o primeiro momento.

"Os guardas costeiros que tiram as pessoas da água estão a fazer um trabalho heróico. Os primeiros socorristas, quer tenham sido do Estado ou locais, fizeram tudo o que puderam", disse Bush, que está em queda nas sondagens e continua a ser muito criticado pela lentidão da resposta à catástrofe de 29 de Agosto.

O balanço provisório oficial era hoje de 513 mortos, 279 dos quais na Luisiana, 218 no Mississipi, 14 na Florida e dois no Alabama.

Durante a manhã, o aeroporto de Nova Orleães deveria reabrir aos voos comerciais, depois de receber, desde a passagem do ciclone, apenas voos humanitários e militares.

No total, são hoje esperados três voos de passageiros e um de carga.

A intervenção do chefe de Estado, marcada para quinta-feira à noite, poderá coincidir com a chegada à Carolina do Norte e do Sul da tempestade tropical Ophelia, que levou as autoridades a instarem a população a tomar precauções.

Debaixo de críticas devido às falhas antes e depois da passagem do Katrina, o chefe da Agência Federal das Operações de Emergência (FEMA), Michael Brown, demitiu-se segunda-feira e foi substituído por um ex-chefe dos bombeiros de Miami (Florida), David Paulison.

Na segunda-feira, após uma visita a Nova Orleães num camião militar, Bush sublinhou que "não houve discriminação no socorro" prestado às vítimas.

Segundo uma sondagem hoje divulgada, seis em cada 10 negros atribuem a lentidão do governo federal na intervenção em Nova Orleães ao facto de a maioria da população da cidade ser negra.

Em contrapartida, apenas um em cada oito brancos é da mesma opinião.

No total, 72 por cento dos negros consideram que o presidente não se interessa pelos negros, ao passo que apenas 26 por cento dos brancos partilham a mesma opinião.

Na sondagem, realizada pela Gallup entre 08 e 11 de Setembro, junto de 848 brancos e 262 negros e divulgada pela CNN e USA Today, não participaram cidadãos das áreas afectadas nos Estados de Mississipi e Luisiana, porque foram declaradas "zonas de catástrofe" após o furacão.

Enquanto existem ainda 141.500 pessoas deslocadas, as autoridades anunciaram que as 50 crianças separadas dos pais aquando da passagem do ciclone na Luisiana já se lhes reuniram ou foram instaladas em casa de familiares.

A mobilização na ajuda aos sinistrados prossegue: a Turquia desbloqueou 2,5 milhões de dólares, o Comité Palestiniano para os Refugiados contribuiu com 10.000 dólares e, na Mauritânia, empresários reuniram 200.000 dólares.

Em África, a mobilização de países de entre os mais pobres do mundo causou polémica, havendo quem a interprete como uma tentativa de "cair nas boas graças" dos Estados Unidos, enquanto outros denunciam o abandono a que foram votadas as vítimas, na maioria negras.

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