Bush "perturbado" com caso de afegão que pode ser condenado à morte
O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou-se hoje "profundamente perturbado" pelo caso de um homem que pode ser condenado à morte no Afeganistão por se ter convertido ao cristianismo.
Trata-se de Abdul Rahman, um afegão convertido ao cristianismo que será julgado por "renegar o Islão", delito punido com a pena de morte no Afeganistão.
Bush fez esta confissão durante um discurso de defesa da guerra movida contra o terrorismo e da estratégia norte-americana no Iraque.
Saudando os progressos alcançados no caminho para a democracia, o chefe do executivo norte-americano disse ter ficado "perturbado, profundamente perturbado" ao saber que "uma pessoa convertida e que abandonou o Islão poderá ter de prestas contas por isso".
"Esperamos deles (afegãos) que respeitem o princípio universal da liberdade", assinalou, declarando-se apostado em "trabalhar" com o governo de Cabul no sentido de conseguir que "seja protegida a liberdade de religião das pessoas".
Em Bruxelas, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, anunciou que pedirá ao presidente afegão, Hamid Karzai, a anulação da ameaça de pena capital que pesa sobre Rahman.
"Alguém que se converte do islamismo ao cristianismo não deve ter de enfrentar a lei por causa de uma decisão adoptada na sua vida privada", declarou Scheffer em conferência de imprensa, ao ser questionado sobre o assunto.
Rahman foi detido há 25 dias, depois de ter sido denunciado pela sua própria família. Na passada quinta-feira compareceu pela primeira vez perante a justiça.