Bush promete investigação sobre falhas na resposta ao furacão Katrina

O Presidente norte-americano, George W. Bush, garantiu hoje que haverá uma investigação rigorosa sobre o que aconteceu de errado e porquê, acossado pelas críticas sobre a ineficiente resposta do Governo federal ao furacão Katrina.

Agência LUSA /

O anúncio foi feito depois de uma reunião do seu Gabinete, onde foram analisados os progressos nos esforços de resgate e assistência aos sinistrados e a situação criada no Supremo Tribunal pela morte do presidente William Rehnquist.

Ao mesmo tempo, Bush referiu que irá enviar o vice-presidente Dick Cheney para a zona afectada pelo Katrina, de forma a poder observar "in loco" e determinar se o Governo está a fazer tudo o que pode.

Quanto à investigação, Bush afirmou que será liderada por ele próprio e, à partida, está garantido que não haverá culpados.

"Pretendo apenas encabeçar uma investigação para determinar em que é que se acertou e onde é que houve erros e garantir que podemos responder de forma adequada em caso de um ataque com armas de destruição maciça ou outra tormenta de grandes dimensões", explicou o chefe da Casa Branca.

"Uma das coisas que as pessoas querem é que comecemos a apontar o dedoÓ Mas temos de resolver os problemas. Chegará a altura para determinar o que se fez bem e o que se fez mal", adiantou.

O líder da maioria republicana no Senado, Bill Frist, divulgou na segunda-feira que o Comité de Segurança Interna irá analisar, a partir desta semana em que o Congresso retoma os seus trabalhos depois das férias, "as fraquezas e forças" da resposta federal ao furacão Katrina para "retirar daí as lições apropriadas".

Várias vozes críticas se têm ouvido nos últimos dias e responsáveis políticos, tanto republicanos como democratas, culparam a Agência Federal de Gestão de Emergências liderada por Michael Brown.

Bush, no entanto, aproveitou uma visita à área devastada na sexta-feira para louvar publicamente o trabalho de Brown.

Mais de 54.000 militares, com a ajuda de 374 helicópteros, estão actualmente a participar nas operações de salvamento nas zonas devastadas do sul dos Estados Unidos.

Um avião francês carregado com 12,7 toneladas de ajuda humanitária para os sinistrados levantou voo hoje de Toulouse (sul de França), rumo a Mobile no Estado norte-americano do Alabama. Antes, fará escala no Reino Unido para embarcar mais ajuda.

Além deste avião, outros dois aparelhos militares com especialistas em segurança civil, tendas e alimentos saíram de Fort de France na Martinica, rumo a Little Rock, no Arkansas, devido ao facto dos aeroportos de Luisiana estarem saturados.

O site criado pela Comité Internacional da Cruz Vermelha para ajudar as pessoas a entrar em contacto com os seus familiares vítimas do furacão Katrina (www.familylinks.icrc.org) já tem 94 mil nomes inscritos, contra 65 mil na segunda-feira.

O site foi inaugurado na sexta-feira e pode igualmente ser acedido por um número de telefone gratuito.

No meio das notícias de resgates, salvamentos e destruição, a secretária do Trabalho norte-americana, Elaine Chao, aproveitou hoje para anunciar a criação de 25 mil empregos com fundos governamentais destinados a reconstruir a cidade de Nova Orleães.

"No que diz respeito à reconstrução, Nova Orleães irá assistir a um dos maiores +booms+ de construção da sua história", afirmou Chao ao canal de televisão CNBC.

O Governo federal destinou 116 milhões de dólares (92,5 milhões de euros) para apoiar a criação de 25.000 empregos temporários reservados aos sinistrados do Katrina.

Para a secretária de Trabalho, ainda é cedo para fazer uma avaliação do impacto da catástrofe natural na economia norte- americana.

"A curto prazo, logicamente, os danos serão muito grandes na região. Mas em termos de impacto nacional, não temos ainda certezas", explicou.

"No entanto, aquilo que se vai passar, e pude constatá-lo por ocasião de outras catástrofes e ciclones, é qualquer coisa de positivo: novos empregos vão ser criados", concluiu.

AR.


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