Bush reconhece que instituir regimes democráticos no mundo levará tempo

O presidente norte-americano, George W. Bush, reconheceu quarta-feira que o estabelecimento de regimes democráticos no mundo "levará tempo e será marcado por períodos de dificuldades e de confusão".

Agência LUSA /

"Quase cada nova democracia atravessou um período de dificuldades e de confusão", indica o texto do discurso que Bush vai proferir quarta-feira à noite (hora local) perante o International Republican Institute (IRI), em Washington, e que foi divulgado pela Casa Branca.

"Na Eslováquia, a revolução de veludo foi seguida de um período de governo autoritário antes da a liberdade se afirmar. Na Roménia, o regime comunista foi derrubado em 1989, mas o governo tem hoje de enfrentar a corrupção que herdou numa altura em que se esforçam por estabelecer uma democracia vibrante", lembra o presidente norte-americano, citando, nomeadamente, a Ucrânia.

"Todos estes países têm ainda muito trabalho a fazer, mas os seus povos são corajosos, os seus dirigentes determinados e, com a nossa ajuda, eles conseguirão", salienta.

"É um período de grande idealismo, em que os sonhos de liberdade se realizam para milhões de pessoas, mas para atingir estes ideais, devemos ter políticas realistas que ajudarão os países a assegurar a sua liberdade, e estratégias concretas para ajudar as jovens democracias a consolidar as suas conquistas", refere o texto do discurso de Bush.

"Quando as pessoas assumem todos os riscos para votar, esperam, em troca, que as suas condições de vida melhorem imediatamente. Mas a História ensina-nos que o caminho para as sociedades livres é longo e nem sempre fácil", acrescenta Bush, lembrando a própria história dos Estados Unidos.

O presidente norte-americano deverá ainda anunciar hoje à noite a criação de um "Grupo de resposta rápida", composto por funcionários norte-americanos e estrangeiros, destinado a intervir nos países em que as instituições políticas permaneçam frágeis.

"Uma das lições aprendidas com a nossa experiência no Iraque é que se os soldados podem ser enviados rapidamente para todo o mundo, não se passa o mesmo com os funcionários civis norte-americanos, refere o texto.

"É por isso que um dos primeiros projecto do Gabinete de reconstrução e de estabilização será o de criar um Grupo de resposta rápida, composto de funcionários norte-americanos e estrangeiros que podem deslocar-se rapidamente em período de crise", precisa, indicando que o Orçamento para 2006 prevê fundos para este fim.

A criação do Gabinete de reconstrução e de estabilização fora anunciada no Verão de 2004 pelo ex-secretário de Estado norte- americano Colin Powell para permitir aos Estados Unidos enfrentar melhor as crises institucionais e políticas ocorridas noutros países.

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