Cabo Verde admite preocupação à limitação de vistos dos EUA e sensibiliza diáspora
A secretária de Estado das Comunidades cabo-verdiana concluiu hoje uma visita aos Estados Unidos na qual procurou sensibilizar a diáspora para o cumprimento das regras da imigração norte-americanas, admitindo "preocupações" com as recentes limitações impostas por Donald Trump.
Vanusa Barbosa, em visita à região de Nova Inglaterra, no nordeste dos Estados Unidos, indicou à Lusa que encontrou a comunidade cabo-verdiana "preocupada" e "apreensiva" com a situação e confirmou que tem estado em diálogo com o executivo norte-americano para tentar ultrapassar os entraves à mobilidade de cidadãos cabo-verdianos.
Num espaço de poucas semanas, Washington incluiu Cabo Verde numa lista em que os cidadãos que viajem a negócios ou turismo (vistos B1/B2) terão de prestar caução até 15.000 dólares (12.876 euros) e suspendeu a emissão de vistos de imigrantes oriundos da ilha.
"Recebemos essa notícia, da suspensão da atribuição de vistos para imigração, com alguma preocupação. Obviamente que isso tem um impacto enorme na nossa comunidade. Nós sabemos que as famílias têm sempre essa preocupação de instruir processos de petição para reagrupamento familiar e neste momento todo esse processo fica em `standby` [suspenso]", observou a secretária de Estado.
Vanusa Barbosa explicou que recebeu a informação de que a embaixada dos Estados Unidos continua a fazer as "entrevistas para vistos normalmente, só que fica suspensa a atribuição do visto até uma segunda reavaliação".
"Estamos em crer que possamos, na próxima reavaliação, sair dessa situação, mas obviamente que cabe-nos a nós também fazer a nossa parte, trabalhar junto da nossa comunidade, numa perspetiva mais pedagógica de sensibilização para a diminuição da taxa do `overstay` [permanência além do tempo permitido] aqui nos Estados Unidos", afirmou.
Nesse sentido, a secretário de Estado apelou aos cidadãos que tenham a pretensão de permanecer nos Estados Unidos além do prazo que lhes é estabelecido à entrada na fronteira "que tomem a decisão de não o fazer e de regressar a Cabo Verde, porque isso ajudará enormemente numa próxima reavaliação para que Cabo Verde saia dessa lista".
"O Governo tem estado em diálogo [com a administração norte-americana]. Mas nós também temos que dar um sinal. As pessoas já sabem que para que nós possamos sair dessa lista é necessário que façamos a nossa parte e a nossa parte é nós sensibilizarmos os nossos familiares, amigos, conhecidos que aqui estão [nos Estados Unidos] a regressarem no prazo estabelecido", acrescentou Vanusa Barbosa.
A secretária de Estado das comunidades espera regressar em breve aos Estados Unidos, para que possa levar essa ação de sensibilização às comunidades cabo-verdianas residentes noutras regiões dos Estados Unidos.
Em 06 de janeiro, os EUA incluíram Cabo Verde e Angola numa lista de 38 Estados (onde já estavam Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) cujos cidadãos que viajem a negócios ou turismo terão de prestar caução até 15.000 dólares (12.876 euros).
Segundo o Governo cabo-verdiano, o país apresenta uma taxa de permanência além do tempo permitido (`overstay`) de 13,26%, acima dos 12,41% de 2013, valores superiores aos de vários outros países.
Na quarta-feira, Cabo Verde passou também a integrar a lista de 75 países, incluindo o Brasil, suspensos do processo de obtenção de vistos de imigração.
Ambas as medidas vão entrar em vigor na quarta-feira, 21 de janeiro.
Os Estados Unidos são um dos principais destinos da diáspora cabo-verdiana e o arquipélago vai disputar, este ano, o seu primeiro Campeonato do Mundo de futebol em solo norte-americano.