Cabo Verde. Como a construção civil devora as praias

por RTP

Enquanto o navio-escola Sagres prossegue a sua viagem de circumnavegação, agora a caminho do Rio de Janeiro, a equipa da RTP desembarcada em Cabo Verde foi encontrar na ilha de Santiago o fenómeno das praias que desaparecem por serem transformadas em betão e o drama das mulheres que vivem de vender areia para a construção civil.

Samir, morador da Cidade Velha, olha a antiga praia do Caniço, e recorda que antes "havia muita areia. Apanhavam a areia, depois proibiram a apanha da areia. O Caniço tinha sempre muito movimento. Ao fim de semana vinham muitas pessoas, havia grelhados, tinha ali o restaurante. O Caniço era um bom lugar. A areia vinha até aqui, mas agora há menos".

Na antiga praia do Chambom, perto do Tarrafal, Felisberta explica: "A minha mãe trouxe-me para o Tarrafal quando era criança. Quando viemos para o Tarrafal, não tínhamos condições de vida. Encontrámos pessoas a tirarem areia do mar (...). Íamos com uns baldes pequenos, carregávamos e levávamos para casa, para vendermos, para termos dinheiro para comprar arroz, para termos o que comer. Nem à escola
fui".

Judite, moradora de Ribeira da Barca, diz: "Temos crianças na escola, no infantário, e não há chuva. Por isso estamos na apanha da areia. Estamos à espera de recursos e assim que eles vierem saímos desta situação. É que não é por vontade nossa que estamos naquilo. Estamos naquilo porque não temos condições e isso obriga-nos à apanha da areia".
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