Cabo Verde defende período transição para novos acordos comerciais euro-africanos
Lisboa, 08 Dez (Lusa) - O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, defendeu hoje, em Lisboa, um período de transição para a entrada em vigor dos novos acordos de cooperação e parceria económica e comercial entre a UE e África.
Os actuais acordos preferenciais de comércio, que regulam as relações comerciais entre a UE e os países do grupo África, Caraíbas e Pacífico (ACP) caducam no próximo dia 31 de Dezembro.
José Maria Neves, que falava à Agência Lusa à margem dos trabalhos da II Cimeira UE/África, salientou que "o mais importante é que haja uma negociação muito séria entre a Europa e os países ACP, designadamente os países africanos".
Essa negociação deverá apontar no sentido da "construção de um acordo de parceria económica que sirva os interesses da Europa e os interesses de África e, sobretudo, tendo em conta as mudanças que serão necessárias, designadamente no domínio fiscal", acrescentou.
Para José Maria Neves, "é fundamental que haja um período de transição e que haja condições para que o continente africano possa adaptar-se a este novo momento".
Quanto à definição do período de transição que defende, o primeiro-ministro de Cabo Verde reconheceu que ainda não há entendimento.
"Ainda não chegámos a um entendimento quanto a um período de transição. Ainda estamos numa fase negocial", disse.
"Nem sempre foram utilizadas as melhores estratégias negociais e estamos apertados em termos de prazo, mas é preciso alargar os prazos e fazer as negociações necessárias", reafirmou.
Relativamente à II Cimeira UE/África, que hoje se iniciou em Lisboa, José Maria Neves destacou que a parceria que vai ser criada entre os dois continentes vai ao encontro dos desejos de Cabo Verde.
"A cimeira é importante pela parceira que vai criar, mas, sobretudo, pela abordagem de questões que são essenciais para o continente africano", sustentou.
Essas questões são a energia, as mudanças climáticas, o comércio e a integração regional, a boa governação e os direitos humanos, que, destacou, "são também preocupações do continente africano".
"E África está a fazer um caminho muito auspicioso nesse sentido. Penso que estamos a criar os pilares para uma cooperação, uma parceria forte e estratégica entre África e a União Europeia", disse.
EL.
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