Cabo Verde diz que ir a cimeira "não altera" condenação da invasão da Ucrânia
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde disse hoje que a participação na cimeira Rússia-África, a decorrer em Moscovo, não altera a posição de condenação da invasão russa da Ucrânia.
"Não, não altera. Assim que assumimos o Governo, a primeira coisa que fizemos em termos de relações externas foi afirmar que todos os compromissos que tinham sido assumidos pelo anterior Governo seriam respeitados", referiu Manuel Amante da Rosa, em resposta à Lusa, na cidade da Praia.
O governante recordou que o país "votou contra a invasão da Crimeia nas Nações Unidas, em várias resoluções" e continuará "a respeitar esse compromisso".
O anterior Governo de Cabo Verde não participou na cimeira de 2023 por condenar a invasão e o atual chefe da diplomacia disse que a posição se mantém.
A cimeira Rússia-África deste ano "é copresidida pelo presidente da Federação Russa e pelo presidente da União Africana (UA), que é o Presidente do Burundi", explicou.
"Nós temos um embaixador na UA, portanto, há uma responsabilidade partilhada. Há imensas delegações que estão presentes, Cabo Verde também", indicou Amante da Rosa.
A participação "de nenhuma maneira é incompatível" com a condenação, "mas é uma forma de demonstrarmos que privilegiamos o diálogo, privilegiamos também uma inclusão dos países e respeitamos todos" os que estão presentes no encontro, hoje e quinta-feira, em Moscovo.
O arquipélago está presente através do representante permanente junto da UA, o embaixador Domingos Mascarenhas.
Cabo Verde anunciou na terça-feira que participa na 3.ª Cimeira Rússia-África e está aberto a "encontrar a melhor via para a implementação de um novo programa de cooperação com a Federação Russa".
O comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros assinalou que a política externa assenta "no pragmatismo e na neutralidade ativa", encarando a cimeira como "espaço estratégico para o reforço do diálogo multilateral e a concertação".
No mesmo documento recordou-se que a cooperação com a Rússia "foi iniciada com o apoio prestado pela antiga União Soviética ao processo de independência nacional, bem como no consolidado domínio da formação de recursos humanos".
Cabo Verde é governado desde junho pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que venceu as eleições de maio, após 10 anos de governação do Movimento para a Democracia (MpD).
Em julho de 2023, o primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva sintetizou a posição do país: "condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia e continuamos com a mesma opção de, até esta guerra terminar, não termos nenhuma ação que possa ser interpretada como apoio a esta invasão".
Em fevereiro de 2025, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Cabo Verde foi um dos 93 países que votaram a favor de uma resolução a exigir o fim das hostilidades na Ucrânia e reafirmando a soberania, independência, unidade e integridade territorial do país.