Cabo Verde reduz mortalidade infantil
Cabo Verde destaca-se na redução da taxa de mortalidade infantil, refere um relatório divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Criança (UNICEF), que diz que Angola e Guiné-Bissau constam da tabela com os números mais elevados.
Segundo os dados do relatório, intitulado "Progressos para a Criança", um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da ONU, Cabo Verde reduziu em 3,8 por cento, entre 1990 e 2002, a Taxa de Mortalidade Infantil de menores de cinco anos.
Em 2002, em cada mil crianças cabo-verdianas com menos de cinco anos morreram 38, em comparação com os 60 que morriam em 1990.
Cabo Verde torna-se assim no único dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa a atingir ou ultrapassar os objectivos definidos pelo Declaração do Milénio.
Por outro lado, Angola e São Tomé e Príncipe estagnaram e entre 1990 e 2002 não houve qualquer alteração à Taxa de Mortalidade Infantil de Menores de Cinco Anos.
Em Angola, em 2002 morriam 260 em cada mil crianças com menos de cinco anos, enquanto em São Tomé Príncipe o número era de 118.
Valores idênticos aos de 1990.
Moçambique e Guiné-Bissau conseguiram alguns avanços, mas não atingiram os objectivos propostos.
Segundo os números da UNICEF, tanto Moçambique como a Guiné- Bissau reduziram em 1,5 por cento a Taxa de Mortalidade Infantil em Menores de Cinco Anos entre 1990 e 2002.
Em 2002, morreram em Moçambique 197 crianças por cada mil com menos de cinco anos (235 em 1990), enquanto na Guiné-Bissau esse número foi de 211 (253 em 1990).
Apesar da redução, a Guiné-Bissau, juntamente com Angola, fazem ainda parte da tabela dos países com a taxa de mortalidade mais elevada, liderada pela Serra Leoa.
De acordo com o relatório, a sida e os conflitos armados são as principais causas pela lenta redução da taxa de mortalidade infantil no mundo, tal como a falta de cuidados de saúde para as mães.
As doenças infecciosas e parasitárias, bem como o paludismo e o sarampo são também responsáveis pela morte de milhares de crianças no mundo, especialmente em África e na Ásia.
"Numa época em que a tecnologia e a medicina têm conseguido autênticas maravilhas, é inconcebível que a sobrevivência das crianças, sobretudo das que são pobres e marginalizadas, seja tão frágil e em tantos lugares", afirmou hoje Carol Bellamy, directora executiva da UNICEF, na apresentação do relatório, que decorreu em Nova Iorque.
"O direito de uma criança à sobrevivência é o primeiro critério de igualdade, de possibilidade de futuro e de liberdade", destacou ainda a responsável.