Cabo Verde repudia "falsas" alegações sobre surto de infeções gastrointestinais
Cabo Verde repudiou e classificou hoje como falsas as alegações que circulam, há dez dias, com início em órgãos de comunicação do Reino Unido, sobre um surto de infeções gastrointestinais a afetar turistas britânicos que estiveram no arquipélago.
Num comunicado articulado entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros, Saúde e Turismo, o Governo "repudia formalmente as falsas alegações divulgadas por certos órgãos de comunicação social que associam indevidamente Cabo Verde a um surto de shigella".
"Tais asserções caracterizam-se pela ausência de fundamentação técnica ou de notificação oficial através dos canais diplomáticos e sanitários internacionalmente estabelecidos", lê-se no documento.
Segundo o Governo, "até à presente data, não foi emitido qualquer notificação formal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) ou autoridades sanitárias que identifique Cabo Verde como origem de um surto epidemiológico".
"A mera associação temporal entre viagens e ocorrência de casos de doença não constitui prova de causalidade, a qual exige confirmação laboratorial e investigação epidemiológica devidamente estruturada -- requisitos que não foram observados nas notícias divulgadas", acrescentou.
A posição de hoje segue-se a declarações do ministro da Saúde de Cabo Verde, Jorge Figueiredo, que a 02 de fevereiro, em reação aos artigos, disse "não existirem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose".
Segundo artigos publicados a 01 de fevereiro, algumas famílias associam as mortes de quatro turistas britânicos, entre agosto e outubro de 2025, a infeções gastrointestinais contraídas na ilha do Sal e pretendem avançar com uma ação judicial contra o operador turístico TUI e a cadeia hoteleira RIU.
Os textos reuniram testemunhos de familiares e do advogado que os representa, sendo replicados por diversos meios e divulgados nas redes sociais, ganhando contornos associados a um alegado surto.
O turismo é o motor da economia cabo-verdiana e continua concentrado nos `resorts` das ilhas do Sal e Boa Vista, apesar de existirem algumas iniciativas de descentralização para o resto do arquipélago, nos últimos anos.