Cabo Verde sem meios para fazer buscas a navio naufragado a 1500 metros de profundidade
Cidade da Praia, 12 jan (Lusa) - Cabo Verde não tem meios para fazer buscas ao navio que naufragou na ilha do Fogo e que está a 1500 metros de profundidade, lamentou fonte oficial, suspeitando-se que alguns dos 12 desaparecidos estejam no interior da embarcação.
Segundo Arlindo Lima, presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil (SNPC) de Cabo Verde, a informação foi avançada pela Agência Marítima e Portuária (AMP), que através de uma sonda ao local, constatou que o navio está a mais de um quilómetro de profundidade.
Em declarações à agência Lusa, o responsável da Proteção Civil cabo-verdiana disse que o país conta com mergulhadores, mas com materiais que podem chegar ao máximo de 100 metros de profundidade.
Por isso, admitiu que pode estar algum corpo dentro do navio, uma vez que, segundo informações dos sobreviventes, o capitão e o imediato terão ficado dentro do navio.
"Possivelmente poderão estar alguns corpos dentro do navio, porque os sobreviventes adiantaram que não viram o capitão e o imediato atirarem-se ao mar", especulou Arlindo Lima, lamentando, entretanto, o facto de o país não possuir meios necessários para fazer buscas a essa profundidade.
Alindo Lima garantiu que as buscas irão continuar na superfície e, na terça-feira, já com reforço de outros meios marítimos que chegam da Cidade da Praia, nomeadamente da Polícia Marítima e da Guarda Costeira cabo-verdiana.
"São meios mais rápidos que podem chegar mais perto do litoral para resgatar algum corpo", informou Lima, que desde o início está a acompanhar as operações no terreno.
O navio "Vicente" naufragou quinta-feira à noite perto do porto de Vale dos Cavaleiros, na ilha do Fogo, com 26 pessoas a bordo, tendo sido resgatados 11 sobreviventes, um corpo e avistado outros dois corpos que, entretanto, ainda não foram recuperados.
Até ao momento, não foram encontrados mais corpos e as esperanças em encontrar sobreviventes entre os 12 desaparecidos são cada vez menor, não só pelo adiantar do tempo, mas também pelas condições climatéricas no local.
As causas do naufrágio estão a ser investigadas pela polícia e pelo Governo cabo-verdiano.
O naufrágio do "Vicente", pertencente à companhia cabo-verdiana Tuninha, é o quinto incidente com barcos em Cabo Verde em pouco mais de um ano, tendo o primeiro acontecido em setembro de 2013, quando o navio de carga "Rotterdam", com seis tripulantes a bordo, desapareceu horas depois de ter saído do porto da Cidade da Praia e até hoje não se sabe do seu paradeiro.
Um mês depois, em outubro de 2013, o navio de transporte de passageiros inter ilhas Sal-Rei colidiu com a embarcação de combustíveis "Cipreia" junto do ilhéu de Santa Maria, na Cidade da Praia, mas o choque não causou vítimas.
Em junho último, o navio de passageiros e de carga "Pentalina-B" encalhou na praia de Moia-Moia, região do concelho de São Domingos, ilha de Santiago, mas todos os 85 passageiros que estavam a bordo foram retirados com ajuda de um rebocador.
Em agosto do ano passado, o navio de combustível "John Miller", propriedade da empresa de combustível Enacol, encalhou na ilha da Boavista, quando se preparava para fazer uma descarga de combustível e gás na ilha, provocando danos ambientais, mas a tripulação foi salva.