Caça ao homem após explosão que atingiu oligarca ucraniano no Mónaco

Caça ao homem após explosão que atingiu oligarca ucraniano no Mónaco

No Mónaco foram chamados dezenas de agentes, enquanto do lado francês dois helicópteros e cerca de 30 gendarmes estão mobilizados em torno do principado.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Alexandre Dimou - Reuters

As autoridades do Mónaco e de França foram mobilizadas esta terça-feira para tentar localizar um homem suspeito de ter detonado uma bomba caseira no Mónaco que feriu gravemente um oligarca ucraniano e dois dos seus familiares.

Na noite de segunda-feira, um homem foi visto a deixar um pacote num edifício residencial do microestado mediterrânico de apenas dois quilómetros quadrados, num bairro muito próximo da fronteira com França.

O pacote explodiu por volta das 21h00, causando três feridos: um casal com idades entre os 50 e os 60 anos que estão agora em estado crítico e um adolescente de 13 anos em estado de emergência relativa, segundo as autoridades monegascas.

Segundo a imprensa local, o homem sofreu queimaduras graves e a mulher encontra-se entre a vida e a morte depois de os seus membros inferiores terem sido apanhados pela explosão.

Uma fonte da agência France-Presse indicou que o homem ferido no ataque é Vadim Ermolaev, oligarca nascido na Ucrânia que foi um importante empresário do ramo imobiliário em Dnipro. Deixou a Ucrânia há vários anos, renunciou à cidadania ucraniana e tornou-se cidadão de Chipre.

Residente no Mónaco, está sujeito, desde dezembro de 2023, a sanções ao abrigo de uma decisão do Conselho Nacional de Segurança promulgada pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Segundo os serviços de segurança ucranianos, estas sanções devem-se à decisão do multimilionário de prosseguir as suas atividades de comércio de bebidas alcoólicas na Crimeia, sob ocupação russa.Autoridades avaliam se há mais pessoas em risco
O chefe de Governo do Mónaco, Christophe Mirmand, adiantou que o suspeito descrito pelas testemunhas foi identificado em imagens de videovigilância do Mónaco e de Beausoleil, o município francês vizinho para onde se dirigiu a pé.

Sem confirmar oficialmente a identidade das vítimas, o responsável disse não ter conhecimento de ameaças específicas dirigidas a Vadim Ermolaev.

"O comportamento da família antes de entrar no prédio não parecia revelar qualquer sinal de inquietação. Estavam vestidos com roupa de verão, descontraídos e não pareciam particularmente cautelosos", afirmou.

Segundo Mirmand, o Ministério Público de Nice abriu um inquérito para permitir que as forças de segurança francesas participassem na perseguição do suspeito. "É a primeira vez na história, tanto quanto sei, que um ato deste tipo ocorre no principado", declarou. Os serviços de inteligência estão agora a tentar "determinar se outras pessoas poderão estar sujeitas a ameaças específicas", adiantou o responsável.

Para além dos três feridos, outras quatro pessoas foram assistidas pelas equipas de socorro, incluindo uma pessoa em estado de choque e várias vítimas de cortes causados pelos vidros projetados pela explosão.

O príncipe Alberto II do Mónaco denunciou "um crime hediondo" que representa "um choque para toda a comunidade monegasca".

"O Principado do Mónaco permanecerá unido e determinado face à violência e ao crime. A segurança da nossa comunidade sempre foi uma prioridade", acrescentou.

Com serviços de segurança de elevada capacidade e um sistema de videovigilância sofisticado, o Mónaco manteve durante muito tempo a imagem de um refúgio de paz particularmente seguro, embora alguns assaltos tenham perturbado a tranquilidade nos últimos anos.

c/ agências
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