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Caça proibida e vigilânica aumentada na Europa

Três países, entre os quais a Turquia, proibiram a caça de aves migratórias, enquanto a maioria dos estados europeus continuava a reforçar a vigilância para detectar a eventual presença do vírus da gripe das aves.

Agência LUSA /

Em Portugal, o Governo criou hoje uma comissão de acompanhamento da gripe das aves que passará a reunir semanalmente para avaliar a situação da doença.

"Tendo em conta a evolução [da doença], com recente identificação do respectivo vírus em países europeus, designadamente Roménia e Turquia, entendeu o ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, ser aconselhável em Portugal que se crie uma comissão de acompanhamento", refere um comunicado oficial.

A Turquia, onde o vírus H5N1 foi detectado num aviário próximo de uma reserva natural onde costumam pousar aves migratórias, proibiu hoje a caça.

A Roménia fez o mesmo depois do anúncio, há uma semana, de um foco suspeito na localidade de Ceamurlia de Jos e de um outro hoje identificado na aldeia de Maliuc, ambas no delta do rio Danúbio, a 60 quilómetros de distância uma da outra.

Na Bulgária, a caça está proibida desde segunda-feira, uma medida que está também a ser estudada pelas autoridades da Bósnia.

Nos restantes países europeus, a vigilância das aves selvagens foi reforçada, mas não foi ainda decretada qualquer proibição da caça.

Em Espanha, o ministério da Agricultura reforçou as inspecções fronteiriças e intensificou a presença de veterinários nos portos e aeroportos para impedir a entrada de animais vivos de países afectados.

A Holanda já encomendou uma grande quantidade de anti-virais e, segundo o ministro da Saúde, é um dos países mais bem preparados para uma epidemia de gripe das aves, não existindo, por isso, razões "para ceder ao pânico".

Na Suíça, apesar de o controlo nos aeroportos ter sido reforçado, o Gabinete Veterinário Federal considera mínimo o perigo de contaminação pelas aves migratórias, mas mantém essas aves em vigilância.

O ministério da Ecologia francês considerou que "não faria qualquer sentido proibir a caça", mas os caçadores comunicam à rede de vigilância os casos suspeitos de aves mortas.

É também este o caso na Grécia, onde as associações de caçadores entregam às autoridades amostras do produto das suas caçadas, e na Croácia, que procederá a partir de domingo a testes a aves abatidas.

O risco de contaminação pelas aves migratórias é actualmente considerado mínimo na Europa ocidental, por um lado, porque o vírus H5N1 mata as aves em alguns dias, o que as impede de viajar, por outro, porque a Europa ocidental assiste sobretudo à passagem das aves num eixo "norte-sul" e não está na rota das aves de países afectados pelo vírus, excepto alguns casos de migração "leste-oeste".

Mas ainda assim existe o risco das migrações de Primavera, quando aves de diversas procedências se misturarem nos locais onde passam o Inverno e regressarem, depois, eventualmente infectadas aos seus países de origem.

Entretanto, a Comissão Europeia relançou hoje a ideia de alargar o fundo europeu de solidariedade, normalmente utilizado em caso de catástrofes naturais, para permitir também suportar as despesas dos Estados membros da União Europeia se se desencadear uma pandemia de gripe das aves.

"A proposta da Comissão faz parte do novo pacote" para o orçamento europeu 2007-2013, em negociação entre os Estados membros, indicou Philip Tod, porta-voz do comissário europeu da Saúde, Markos Kyprianu.

Tal proposta não incide "especificamente sobre a preparação para uma pandemia", precisou Tod, acrescentando que o fundo, "que pode ser accionado para catástrofes naturais, foi alterado para utilização também em casos de emergência de saúde pública", por exemplo em caso de epidemia.

O Grupo Científico Europeu de Trabalho sobre a Gripe (ESWI) instou, por outro lado, as autoridades europeias a tomarem medidas para desenvolver e testar protótipos de vacinas humanas, devido ao risco de uma epidemia relacionada com a gripe das aves.

De acordo com um artigo hoje publicado na revista Nature, uma equipa de investigadores identificou uma estirpe do vírus H5N1 da gripe das aves que é resistente ao medicamento anti-viral Tamiflu, que está a ser armazenado em todo o mundo, também em Portugal, para prevenir uma pandemia.

A estirpe foi descoberta numa jovem vietnamita de 14 anos, que poderá ter contraído a gripe das aves através do irmão, e não por contacto directo com aves infectadas.

A descodificação do genoma dessa estirpe específica do vírus H5N1 revelou que uma mutação o tornou resistente ao Oseltamivir, substância activa do Tamiflu, medicamento comercializado pela multinacional suíça Roche.

A Direcção-Geral da Saúde portuguesa afirmou que era já conhecida a possibilidade de resistências do vírus da gripe das aves H5N1 ao anti-viral Oseltamivir.

O medicamento só deverá chegar a Portugal no próximo ano, uma vez que vários países fizeram idênticas encomendas e apenas um laboratório é responsável pela sua comercialização.

Em numerosas farmácias europeias, incluindo em Portugal, o armazenamento deste anti-viral entrou em ruptura devido à grande procura por particulares.

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde manifestou-se hoje preocupada com a progressão do vírus da gripe das aves na Europa, mas minimizou, por enquanto, o perigo para a espécie humana, desaconselhando uma corrida aos medicamentos anti-gripais.

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