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COVID-19
Cães treinados para farejar Covid-19 com eficácia acima de 90%
Um projeto de investigação do Reino Unido está usar meias de pessoas infetadas com o vírus Sars-Cov-2 para treinar cães a detetar a doença. Os resultados revelam que os cães com melhor desempenho têm uma precisão acima de 90 por cento na deteção do odor Covid-19. A aplicação prática deste treino passa por colocar os cães a examinar pessoas nos aeroportos ou recintos de espetáculo.
As pessoas infetadas com Sars-Cov-2 exalam um odor específico e essa característica foi aproveitada para investigadores ensaiarem o diagnóstico da doença através da sensibilidade do faro canino.
Emprestados pela instituição Medical Detection Dogs, Asher, Kyp, Lexie, Tala, Millie e Marlow foram os cães envolvidos neste ensaio. Estes animais já têm participado noutros estudos, nomeadamente, na deteção de cancro.
O projeto britânico começou por utilizar cerca de 3500 amostras de meias e camisas usadas por profissionais de saúde e por utentes com e sem doença.
Os investigadores apuraram que os cães conseguiram farejar o dor de pessoas assintomáticas, casos moderados de infeção e até mesmo casos com a variante mutante surgido no fim de 2020 no Reino Unido.
Os cães tem até vinte cinco vezes mais receptores olfativos que os humanos, atingindo os 300 milhões.
Hannibal Hanschke - Reuters
James Logan, especialista em controle de doenças da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres que liderou o projeto, destaca que, "a vantagem dos cães treinados em relação a outros métodos de triagem é a velocidade incrível e boa precisão entre grandes grupos de pessoas".
Na Alemanha, Finlândia, Chile e Tailândia estão em curso semelhantes projetos-piloto para colocarem cães pisteiros para despistar possíveis doentes com Covid-19.
Nas últimas etapas do ensaio foram colocadas 200 amostras de meias e camisas com odores contaminadas com Covid-19. Misturaram com 200 amostras associadas a pessoas com resultados negativos.
Os investigadores revelam que os cães com melhor desempenho detetaram o dor contaminado de Covid-19 até 94,3 por cento das amostras, o que significa fiabilidade para um baixo número de resultados falsos negativos.
Investigadores independentes sublinham que este estudo "sugere que cães de deteção treinados podem ser usados em lugares como aeroportos, estádios esportivos e salas de concertos", disse Lawrence Young, virologista e professor de oncologia molecular na Warwick University.