Cães treinados para farejar Covid-19 com eficácia acima de 90%

Um projeto de investigação do Reino Unido está usar meias de pessoas infetadas com o vírus Sars-Cov-2 para treinar cães a detetar a doença. Os resultados revelam que os cães com melhor desempenho têm uma precisão acima de 90 por cento na deteção do odor Covid-19. A aplicação prática deste treino passa por colocar os cães a examinar pessoas nos aeroportos ou recintos de espetáculo.

Carla Quirino - RTP /
Jorge Silva - Jorge Silva

As pessoas infetadas com Sars-Cov-2 exalam um odor específico e essa característica foi aproveitada para investigadores ensaiarem o diagnóstico da doença através da sensibilidade do faro canino.

Emprestados pela instituição Medical Detection Dogs, Asher, Kyp, Lexie, Tala, Millie e Marlow foram os cães envolvidos neste ensaio. Estes animais já têm participado noutros estudos, nomeadamente, na deteção de cancro.

O projeto britânico começou por utilizar cerca de 3500 amostras de meias e camisas usadas por profissionais de saúde e por utentes com e sem doença.

Os investigadores apuraram que os cães conseguiram farejar o dor de pessoas assintomáticas, casos moderados de infeção e até mesmo casos com a variante mutante surgido no fim de 2020 no Reino Unido.

"Os cães podem ser uma ótima maneira de examinar um grande número de pessoas rapidamente e evitar que o COVID-19 seja reintroduzido no Reino Unido", disse Steve Lindsay, professor do departamento de biociências da Universidade de Durham, co-autor do estudo, citado na Reuters.

Os cães tem até vinte cinco vezes mais receptores olfativos que os humanos, atingindo os 300 milhões.
Hannibal Hanschke - Reuters

James Logan, especialista em controle de doenças da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres que liderou o projeto, destaca que, "a vantagem dos cães treinados em relação a outros métodos de triagem é a velocidade incrível e boa precisão entre grandes grupos de pessoas".

Na Alemanha, Finlândia, Chile e Tailândia estão em curso semelhantes projetos-piloto para colocarem cães pisteiros para despistar possíveis doentes com Covid-19.  

Nas últimas etapas do ensaio foram colocadas 200 amostras de meias e camisas com odores contaminadas com Covid-19. Misturaram com 200 amostras associadas a pessoas com resultados negativos.

Os investigadores revelam que os cães com melhor desempenho detetaram o dor contaminado de Covid-19 até 94,3 por cento das amostras, o que significa fiabilidade para um baixo número de resultados falsos negativos.

A equipa de James Logan acrescenta que os cães submetidos ao treino atingiram entre 58 e 77 por cento em média de sensibilidade a detetar o odor do vírus. Esta precisão é superior à recomendada pela Organização Mundial de Saúde para o diagnóstico da doença.

Investigadores independentes sublinham que este estudo "sugere que cães de deteção treinados podem ser usados em lugares como aeroportos, estádios esportivos e salas de concertos", disse Lawrence Young, virologista e professor de oncologia molecular na Warwick University.

A replicação em situações reais é uma das preocupações dos especialistas, e Young deixa a pergunta, "esta abordagem funcionará no mundo real em pessoas, em vez de amostras de meias e camisas?".
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