Caiu mais um foguetão Soyuz

Apenas sete minutos após o lançamento, um foguetão russo Soyuz falhou e caiu, esta sexta-feira. Os seus destroços espalharam-se na região da cidade de Tobolks, na Sibéria. Com este são já cinco os lançamentos falhados este ano, num total de 33, ensombrando as celebrações russas dos 50 anos do envio do primeiro homem ao espaço, o soviético Yuri Gagarin. O diretor da agência espacial russa, a Roscosmos, já admitiu que vão rolar cabeças.

RTP /
O foguetão Soyuz-2 foi lançado do espaço-porto de Plesetsk RIA Novosti, EPA

O Soyuz que caiu esta sexta-feira partiu do espaço-porto de Plesetsk. Levava a bordo um novo satélite Meridien-5, da rede russa de comunicações entre navios, aviões e estações costeiras no Ártico, com aplicação tanto civil como militar.

Não foram fornecidos pormenores sobre os destroços ou se alguém foi atingido. Uma fonte da agência espacial russa explicou apenas que a queda do Soyuz-2.1b, a versão mais moderna do modelo, se deveu a “uma avaria no terceiro andar do foguetão”. Aparentemente um tubo de combustível entupiu, o que levou à paragem prematura do motor do foguetão.

Esta foi a quinta falha em 12 meses, o que começa a ser preocupante. O diretor da agência espacial russa, Roscosmos, empossado em abril, admitiu já a necessidade de alterações na área espacial, nomeadamente através do rejuvenescimento dos quadros.

Missão EEI sem problemas


O modelo Soyuz tem uma longa história de 60 anos de vida. Estes foguetões são ainda os únicos capazes de levar e trazer astronautas até à Estação Espacial Internacional (EEI) desde que a NASA descontinuou os Vaivéns.

De salientar que esta sexta-feira, horas depois da queda do Soyuz-2, um outro foguetão Soyuz TMA-03M acoplou com êxito à EEI. A aproximação foi feita de forma automática e a acoplagem ocorreu às 19h19, hora de Moscovo, segundo informou o Centro russo de Controlo de Voos Espaciais.

A bordo seguiam três astronautas, um russo, um americano da NASA e um holandês da Agência Espacial Europeia, o que completa a tripulação da estação orbital. O lançamento do foguetão deu-se quarta-feira, a partir do centro espacial de Baikonur no Cazaquistão.

Série negra


As recentes falhas dos foguetões russos colocaram em causa vários projetos, russos e internacionais.

Em Agosto passado, um Soyuz-U com uma nave de carga Progress explodiu na atmosfera durante uma missão de reaprovisionamento da EEI, paralisando os voos para a Estação durante praticamente três meses.

Esse modelo Soyuz e aquele que se despenhou há algumas horas usam sistemas e componentes diferentes entre si, pelo que a falha no lançamento de hoje faz soar vários alarmes.

O fracasso poderá igualmente pôr em causa o próximo lançamento, na próxima semana, de outro Soyuz, a partir de Baikonur, o qual irá colocar em órbita seis satélites de um sistema de navegação americano, o Globalstar.

Já o Glonass, o sistema russo de navegação por satélite, rival do americano GPS, foi a primeira vítima da recente série de fracassos do programa espacial russo.

Há mais de um ano, a cinco de dezembro de 2010, um foguetão Proton, com três satélites de navegação Glonass a bordo, desviou-se da rota e acabou por cair no Oceano Pacífico. Custou à Russia 160 milhões de dólares, atrasou o projeto Glonass e terá ainda levado à substituição de Anatoly Perminov, então diretor da Roscosmos, por Vladimir Popovkin, no cargo desde Abril de 2011.

Um outro projeto posto em causa pela série negra do último ano, foi a primeira missão interplanetária da agência espacial russa em 15 anos. A nove de novembro, a sonda Phobos-Grunt, avaliada em 165 milhões de dólares, ficou na órbita da Terra em vez de se dirigir a Marte. A sua queda está prevista para o início de janeiro.

Noutras missões falhadas, a 18 de agosto, uma semana antes do fracasso da missão à EEI, um veículo Proton não conseguiu colocar em órbita um satélite de comunicações avaliado em 300 milhões dólares. Um fracasso semelhante já se tinha registado a um de fevereiro, com um foguetão Rokot.

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