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Calote polar na Antártida em risco de desaparecer até ao final da década

Calote polar na Antártida em risco de desaparecer até ao final da década

Um estudo recém-publicado da NASA revela que a última secção que resta da plataforma da Antártida de gelo "Larsen B" está a derreter num ritmo alarmante e provavelmente desintegrar-se-á completamente antes do final da década.

Nuno Patrício /
Foto: Alfred-Wegner Institut

O alerta surge por parte da comunidade cientifica que trabalha na NASA/JPL e está a acompanhar os efeitos das mudanças climáticas no planeta e seus efeitos nas calotes polares na Antártida.

Ala Khazendar, líder de um grupo de cientistas da NASA Jet Propulsion Laboratory (JPL) em Pasadena, Califórnia, deu a conhecer ao mundo, num artigo publicado na revista online Earth and Planetary Science Letters, que o que resta da plataforma de gelo Larsen B está a derreter mais rápido do que se previa.



Imagens: NASA Earth Observatory

Segundo Khazendar, são já visíveis vários blocos independentes junto ao golfo gelado naquela região, provenientes do forte e rápido degelo deste grande bloco gelado.

"Estes blocos são sinais de alerta que o remanescente do Larsen B está a desintegrar", afirma Khazendar. "Embora seja fascinante cientificamente ter um lugar na primeira fila, para assistir a este fenómeno, é no entanto uma má notícia para o nosso planeta. Esta plataforma de gelo já existe há pelo menos 10.000 anos, e em breve terá desaparecido."



Estas plataformas de gelo são as “trancas” geladas da Antártida a fluir para o oceano. Sem elas, o gelo glacial entra nas águas oceânicas e acelera o ritmo do aumento global do nível do mar.

Os dados agora apresentados pelos cientistas, resultam do programa científico IceBridge da NASA, que consiste da recolha de vários estudos e imagens recolhidas por satélite das elevações rochosas das superfícies geladas desde 1997.

Agora Khazendar e a sua equipa, apresentam um cenário pouco animador para a região antártica Larsen B, estimando a esperança de vida do restante bloco em pouco mais de 4 anos. Prevendo Khazendar que no cenário mais provável é que surja uma fenda enorme e crescente na plataforma de gelo, que vai eventualmente provocar uma separação do enorme bloco.



O produto resultante desintegrará em centenas de icebergs que irão se afastar do atual ponto de origem.

"O que é realmente surpreendente sobre Larsen B, é como tudo se está a passar tão rapidamente ", disse Khazendar. "A mudança tem sido implacável."



O remanescente de Larsen B situa-se na costa da Península Antártica, ocupa uma área de 1.600 quilómetros quadrado, tendo o ponto mais alto da calote uma altura de cerca de 500 metros.
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