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Câmara dos Representantes dos EUA aprova projeto de lei que exige prova de cidadania para votar

Câmara dos Representantes dos EUA aprova projeto de lei que exige prova de cidadania para votar

O projeto de lei, que poderá ser implementado nas eleições intercalares de novembro, impõe comprovação de cidadania aos eleitores, mas nos EUA não existe um documento equivalente ao cartão de cidadão.

RTP /
Foto: Celal Gunes/Anadolu via AFP

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na quarta-feira, um projeto de lei que obriga os cidadãos a comprovarem a sua cidadania norte-americana para poderem votar nas próximas eleições intercalares.

A votação da medida SAVE America Act pela câmara baixa do Congresso dos EUA, composta maioritariamente por republicanos, terminou com 218 votos a favor face a 213 contra o projeto de lei que segue agora para aprovação junto do Senado.

As previsões tendem para uma rejeição da reforma na legislação norte-americana, uma vez que esta necessita do apoio de pelo menos 60 dos 100 membros do Senado e que a grande maioria dos democratas se opõem à sua viabilização, sendo que apenas um elemento do Partido Democrata na Câmara dos Representantes votou a favor da proposta.

Além disso, uma medida semelhante já foi aprovada anteriormente pela Câmara em duas ocasiões diferentes, em abril do ano passado e em 2024, mas nunca teve o aval do Senado.

A proposta da administração Trump quer mudar os requisitos para o recenseamento eleitoral nos EUA, que atualmente não impõe qualquer comprovativo de cidadania. No país norte-americano não existe um documento de identificação nacional obrigatório, ao contrário do que acontece em Portugal, pelo que o processo de registo dos eleitores ocorre mediante apresentação de carta de condução ou de número de segurança social.

De acordo com o think-tank Brennan Center for Justice, citado pelo jornal Público, a medida poderá dificultar o acesso ao voto a “mais de 21 milhões de americanos”. Paralelamente os democratas defendem que a intenção de Donald Trump é concentrar o poder eleitoral nas suas mãos ao impor obrigações desnecessários aos eleitores do país.

O projeto de lei é a versão mais recente de uma proposta de reforma eleitoral que surgiu pela primeira vez durante a campanha presidencial de 2024, sob alegadas preocupações de Trump com situações de fraude eleitoral, justificadas com a existência de um elevado número de imigrantes em situação irregular no país a deslocarem-se às urnas durante as eleições.

O SAVE America Act acolhe ainda outras reestruturações nas normas eleitorais norte-americanas, como a obrigatoriedade de identificação do eleitor através de fotografia e a imposição de sanções penais a funcionários eleitorais que incorram no registo de qualquer pessoa sem a documentação necessária.

Os republicanos sustentam a eventual nova regra com uma pesquisa do Pew Research Center, que mostra que 83% dos eleitores, incluindo 71% dos democratas, apoiam a identificação com foto. 

A votação de quarta-feira teve lugar apenas uma semana depois de Donald Trump ter apelado aos republicanos que “assumam o controlo” das eleições em mais de uma dúzia de locais.

Os democratas olham para o projeto de lei como uma tentativa de suprimir o voto justo dos eleitores norte-americanos e minar as chances eleitorais do partido da oposição, numa altura em que o Partido Democrata acredita estar a ganhar força eleitoral.

O deputado Joe Morelle, principal democrata da comissão da Câmara dos Representantes que supervisiona as eleições, reitera que o objetivo do presidente da câmara baixa do Congresso, James Johnson, é “tornar mais difícil para os americanos votarem e mais fácil para os republicanos de Washington controlarem a forma como as eleições são realizadas”, segundo noticia a Reuters.

Paralelamente ao SAVE America Act, está também em curso a elaboração de outro projeto de lei para reforma eleitoral. Intitulada Make Elections Great Again Act ("Lei para Tornar as Eleições Grandes Novamente” em português), a medida do Partido Republicano procura limitar o voto por correspondência e proibir o voto por ordem de preferência, bem como tornar obrigatório o boletim de voto impresso em papel para os sufrágios no país.
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