Camberra justifica aumento de navios de guerra para Timor-Leste
O Ministério dos Negócios Estrangeiro (MNE) australiano justificou o reforço do número de navios de guerra no norte da Austrália, perto de Timor-Leste, com a necessidade de preparação para responder a eventuais incidentes.
"É melhor estar preparado do que não estar," disse um porta-voz de turno no MNE australiano, que não se identificou e não adiantou mais explicações.
O porta-voz comentava o envio de mais dois navios de guerra para o norte da Austrália, em águas territoriais do país a 600 milhas marítimas de Timor-Leste, noticiado pela imprensa australiana.
Este envio fez aumentar para quatro o número de navios de guerra australianos naquela zona.
Contactado pela Agência Lusa a partir de Díli, o MNE australiano disse ainda que a deslocação de meios é uma operação que envolve o MNE e o Ministério da Defesa do país.
Fontes diplomáticas em Díli asseguram que diversas embaixadas de países ocidentais, incluindo a portuguesa, acordaram já com Camberra que, em caso de distúrbios em Díli, será a Austrália a assegurar a evacuação dos cidadãos estrangeiros no país.
Apesar dos timorenses estarem ainda apreensivos quanto aos resultados do congresso da Fretilin nos dias 17, 18 e 19 de Maio, que escolherá a liderança que vai conduzir o partido no poder nas próximas eleições legislativas de 2007, Timor-Leste vive uma situação de retorno à calma e de normalidade entre os cidadãos estrangeiros a residir no país.
Organizações não-governamentais e professores estrangeiros iniciaram já o retorno aos locais de trabalho no interior do país.
Ramos Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor, agradeceu sábado às autoridades australianas por terem colocado os navios a postos para prestar ajuda a Timor-Leste, caso Díli o peça.
"Quando há contratempos de grande exposição mediática, contratempos causados por nós próprios, devemos estar agradecidos aos nossos vizinhos, com mais recursos, por se mostrarem disponíveis para ajudar o povo e as autoridades timorenses", disse o ministro.
A capital timorense foi, a 28 de Abril, palco de distúrbios desencadeados por manifestações de militares contestatários, entretanto demitidos, que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Para impor a ordem, a polícia efectuou disparos sobre os manifestantes, que causaram oficialmente cinco mortos.
Nos dias imediatamente a seguir aos confrontos, cerca de 90 mil pessoas, ou 70 por cento da população de Dili, fugiu para localidades nas montanhas, segundo as Nações Unidas.
Segundo as Nações Unidas os deslocados estão a pouco e pouco a regressar a Dili, estimando-se em 35 mil o número de pessoas que ainda estão em localidades nas montanhas a viver em cerca de 100 locais, entre instituições ligadas à igreja católica, quartéis e escolas.