Camberra recusa apoiar australianos que se juntaram ao Estado Islâmico na Síria

Camberra recusa apoiar australianos que se juntaram ao Estado Islâmico na Síria

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou hoje que o Governo não oferecerá assistência nem repatriará australianos que viajaram para a Síria para se juntarem ao Estado Islâmico (EI).

Lusa /

O primeiro-ministro fez estas declarações à emissora pública australiana ABC, um dia depois das autoridades curdas da Síria terem libertado 34 australianos, familiares de membros do EI, que estavam detidos no campo de Roj.

"Devolvemos 11 famílias que possuem cidadania australiana aos seus parentes, que vieram da Austrália para as acolherem", disse à agência de notícias France-Presse a diretora do campo.

Hakmieh Ibrahim acrescentou que estas pessoas "são os últimos australianos no campo de Roj", embora o campo ainda tenha "2.201 pessoas de cerca de 50 nacionalidades".

Mas, mais tarde, a agência de notícias curda Hawar informou que as famílias tinham regressado ao campo, situado no nordeste da Síria.

Em duas entrevistas concedidas hoje a meios de comunicação locais, Albanese insistiu que a Austrália não prestará assistência àqueles que viajaram para o Médio Oriente para apoiar o EI.

O primeiro-ministro realçou que aqueles que cometeram crimes enfrentarão "todo o rigor da lei" se regressarem a território australiano, embora tenha reconhecido que a situação é deplorável no caso das crianças afetadas.

Em outubro passado, um grupo de seis mulheres e crianças conseguiu regressar à Austrália depois de ter saído da Síria rumo ao Líbano, sem assistência governamental.

O debate sobre os combatentes estrangeiros voltou a ganhar destaque na Austrália após o ataque de 14 de dezembro na praia de Bondi, em Sydney, onde foram mortas 15 pessoas que celebravam o festival judaico Hanukkah.

Dias depois, o EI celebrou ter "inspirado" o ataque, alegadamente levado a cabo por dois residentes australianos, embora não tenha reivindicado a responsabilidade direta.

As forças curdas ainda controlam o campo de Roj, onde familiares dos denominados guerreiros do EI estão retidos, na sua maioria estrangeiros, designadamente cidadãos europeus.

Na passada semana, a maioria dos familiares de `jihadistas` estrangeiros deixou o grande campo de acolhimento de al-Hol, nordeste da Síria, com a saída das tropas curdas, em 20 de janeiro, e sua substituição pelas forças sírias.

Al-Hol é o maior campo para famílias daquele grupo terrorista na Síria e abrigava aproximadamente 6.300 mulheres e crianças estrangeiras numa secção de alta segurança conhecida como "Anexo".

Os Estados Unidos estabeleceram uma coligação internacional depois de o EI ter tomado grandes extensões de território na Síria e no Iraque, em 2014, aproveitando a guerra civil.

O EI foi derrotado na Síria em 2019 por forças predominantemente curdas, apoiadas pela coligação. O grupo foi derrotado no Iraque em 2017.

 

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