Campanha do referendo sobre proibição de armas de fogo já começou no Brasil
A campanha para o referendo que decidirá sobre o futuro da venda de armas de fogo começa hoje em todo o Brasil, divulgaram fontes oficiais.
A campanha será acompanhada pelas emissoras de televisão e de rádio, com os argumentos dos defensores do fim da venda de armas e dos que querem a continuidade da comercialização.
Os defensores da proibição do comércio e os que apoiam a continuidade d a venda terão tempos iguais nos programas de rádio e de televisão para defenderem as suas ideias.
A defesa do fim da venda de armas será feita pela frente "Brasil sem Armas" e a continuidade da comercialização será defendida pela frente "Pelo Direito à Legítima Defesa".
No dia 23 de Outubro, os brasileiros maiores de 18 anos vão responder num referendo à seguinte pergunta: "O comércio de armas de fogo e munições deve ser proibido no Brasil?".
A realização do referendo estava prevista no chamado "Estatuto do Desarmamento", aprovado em 2003 pelo Parlamento e que restringiu o porte de armas no Brasil.
O "Estatuto do Desarmamento" incluiu igualmente uma campanha em que o governo oferecia dinheiro a quem entregasse a arma, o que já permitiu a destruição de cerca de 350.000 armas.
As mortes por armas de fogo no Brasil na última década superaram as da Guerra do Golfo ou do conflito israelo-palestiniano, de acordo com um estudo recente da ONU.
Nesse período, morreram no Brasil 325.551 pessoas, uma média de 32.555 por ano.
Segundo o levantamento, entre 1979 e 2003, 550 mil pessoas foram mortas por armas de fogo no Brasil.
As armas de fogo ocupam o terceiro lugar entre as principais causas de morte da população brasileira, mas entre os jovens são a primeira causa de mortalidade.
O Brasil poderá tornar-se o primeiro país da América Latina a proibir a venda de armas, medida adoptada até agora apenas por países desenvolvidos.