Canadá recusa escudo anti-míssil norte-americano
O Canadá decidiu recusar participar no escudo de defesa anti-míssil norte-americano, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros canadiano, Pierre Pettigrew.
"Após uma análise cuidadosa da questão, decidimos não participar no escudo anti-míssil", declarou o ministro perante a Câmara dos Comuns.
"O Canadá deve agir em função dos seus próprios interesses (Ó), deve optar por investimentos que lhe tragam os maiores resultados palpáveis", sublinhou Pettigrew.
O governo do primeiro-ministro canadiano, Paul Martin, analisou esta questão, muito impopular no Canadá, durante mais de um ano, antes de chegar à actual decisão.
Apesar da recusa, Pettigrew assegurou que Otava continua a ser um aliado próximo de Washington na luta contra o terrorismo global e a segurança continental.
Temendo que o "não" provocasse um esfriamento das relações entre os dois países, que começavam a melhorar depois da tensão causada pela recusa do Canadá de participar na guerra no Iraque, Pettigrew aproveitou a cimeira da NATO em Bruxelas, esta semana, para anunciar antecipadamente esta decisão à secretária de Estado norte- americana, Condoleezza Rice.
Durante a visita que realizou em Dezembro ao Canadá, o presidente norte-americano, George W. Bush, insistiu na necessidade de Otava se juntar ao seu escudo para a segurança do continente norte- americana.
Líder de um governo minoritário, Paul Martin viu-se forçado a ter em conta a hostilidade ao projecto manifestada pelos dois partidos da oposição, os independentistas do Quebeque e o Novo Partido Democrático, mas também no seio do seu próprio Partido Liberal.
No Verão passado, os Estados Unidos e o Canadá modificaram o acordo sobre o Comando da Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD) para o adaptar à instalação do escudo anti-míssil, um gesto entendido na altura como um apoio de Otava ao sistema de defesa norte- americano.
Questionado à saída da reunião do executivo, Martin reafirmou que os Estados Unidos continuam a ser o "mais sólido aliado e o amigo mais próximo" do Canadá, mas que as suas prioridades são diferentes.
"Não será sobre o escudo anti-míssil que iremos concentrar os nossos esforços", assegurou Martin, que citou como prioridades militares a segurança das fronteiras e das costas, a soberania sobre o Árctico e o reforço dos serviços de informação.