Canal da Mancha era um rio há 20.000 anos

O Canal da Mancha, que actualmente separa as costas belgas e do Norte de França das inglesas era um rio há 20.000 anos, durante a fase mais rigorosa da última glaciação, indica um estudo hoje publicado.

Agência LUSA /

Como o nível do mar estava a cerca de 130 metros abaixo da sua cota actual , devido às camadas de gelo que cobriam boa parte do continente europeu, o Canal da Mancha era o maior rio da Europa - segundo as conclusões de uma equipa de in vestigadores franceses e holandeses.

Os investigadores, cujo estudo vem publicado na edição de hoje da revista "Science", estabeleceram a cronologia da actividade daquele "rio", de cuja exist ência já se tinha conhecimento, a partir de sedimentos marinhos colhidos no Golf o da Biscaia.

Esses sedimentos permitiram recuar 40 milénios na história do "rio Mancha" e determinar, por exemplo, que tinha uma grande bacia até ao leste da Europa e recebia águas de afluentes actualmente tão conhecidos como o Sena, o Tamisa, o R eno, o Elba, o Mosa, o Somme e o Weser, entre muitos outros.

A fase fluvial do actual Canal da Mancha terminou dramaticamente há 17.000 anos quando se fundiu parte da calote glaciar que cobria grande parte da Améric a do Norte, o que provocou uma subida do nível do mar que prosseguiu depois rapi damente.

A originalidade do estudo é o uso de um novo "indicador paleo-climático", que permite reconstruir a actividade dos rios e se baseia na análise de molécula s que sobreviveram durante milhares de anos nos sedimentos.

Os modelos usados na investigação, segundo os seus autores, "é crucial par a poder prever e compreender melhor as relações entre o ciclo da água e o clima" .

Nesse sentido, assinalam que os modelos prevêem um aumento da pluviosidade e dos fluxos de água doce no oceano devido à fusão de gelos na Gronelândia, o q ue poderá alterar a circulação do oceano em profundidade, com "incidências catas tróficas" para o clima.

Os investigadores trabalham no centro Europeu de Investigação e Ensino das Geociênciais do Ambiente de Aix-en-Provence e no Real Instituto Holandês para a Investigação Marinha.

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