Canal dp Panamá preocupado com o fenómeno nas costas da Somália

Cidade do Panamá, 28 Nov (Lusa) - O aumento da pirataria nas costas da Somália preocupa as autoridades do Canal do Panamá pelas suas consequências no comércio marítimo internacional, afirmou hoje a administração da via inter-oceânica panamiana.

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O administrador da Autoridade do Canal de Panamá (ACP), Alberto Aleman Zubieta, depois de informar a Assembleia nacional sobre as obras de ampliação naquela via, disse à imprensa que a entidade do Canal segue com atenção a situação no Oceano Índico, onde se registam actualmente cerca de quatro assaltos por dia.

Embora os ataques a navios mercantes que navegam no Mar Vermelho e no Oceano Índico não afectem directamente o tráfego da carga por aquela via panamiana, Aleman salienta a preocupação que suscita no comércio marítimo mundial.

O administrador do Canal apoiou o apelo feito recentemente pelo embaixador panamiano na ONU, Ricardo Alberto Arias, que defendeu a adopção urgente de medidas que travem a pirataria, uma actividade anacrónica que se supunha ultrapassada.

Os mais de 8.000 navios de bandeira panamiana também estão debaixo dessa ameaça, advertiu.

Panamá encabeça o Registro Internacional de Navios e Tonelagem Bruta (TRB) a 31 de Outubro de 2008 com 8.159 embarcações e mais de 180 milhões de toneladas, respectivamente, segundo dados oficiais.

De acordo con Alemán, esta situação tem de ser abordada "com seriedade" no seio do Conselho de Segurança da ONU e na Organização Marítima Internacional (OMI).

Segundo a Agência Marítima Internacional, com sede em Kuala Lumpur, desde Janeiro de 2008 ocorreram 95 ataques piratas na zona e, em 39 casos, os assaltantes sequestraram o navio, números que apontam para um aumento deste delito.

A NATO concordou o mês passado em enviar navios de guerra para as águas próximas da Somália, em guerra civil, a fim de proteger os barcos que levam para esse país ajuda humanitária do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, numa operação coordenada com a União Europeia (UE).

Ainda hoje, piratas somalis apoderaram-se de um navio-cisterna que transporta químicos no Golfo de Aden e um canhoneira da NATO, que chegou demasiado atrasada para impedir o sequestro, resgatou três guardas da segurança, dois dos quais britânicos, que saltaram para o mar.

TM.

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