Canal TVes iniciou transmissões entre protestos e foguetes

A recém criada estação estatal Televisora Social Venezuelana (TVes) iniciou hoje a emissão, em substituição da RCTV, o mais antigo canal privado do país, depois do presidente Chávez decidir não renovar a sua licença.

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A "mudança" de canal foi recebida com fogo de artifício, por milhares de simpatizantes do presidente Hugo Chávez, concentrados no centro de Caracas, enquanto que os oposicionistas levaram a cabo um forte e prolongado toque de tachos, acompanhado por um buzinão, em protesto pela "saída do ar" da RCTV, poucos minutos antes da meia-noite de domingo.

O sinal da TVes chegou primeiro aos sistemas de televisão por cabo, às 00:00 horas de hoje, e durante vários minutos exibiram o símbolo do novo canal, e só meia hora depois chegou em sinal aberto às televisões caraquenhas.

Durante os primeiros 15 minutos a TVes transmitiu um vídeo de promoção da nova programação do canal, passando depois a transmitir uma imagem em directo do Teatro Teresa Carrenho, onde a directora do novo canal, Lil Rodríguez, agradeceu ao presidente Hugo Chávez.

Depois teve lugar uma gala musical, em que a Orquestra Sinfónica da Juventude Venezuelana Simón Bolívar interpretou o hino nacional e actuaram diversos cantores e grupos de música folclórica e crioula.

Foi ainda transmitida a primeira parte da longa-metragem "Eterno", sobre o "pai da pátria", o Libertador Simón Bolívar, da autoria de Júlio César Mármol.

Por outro lado, a RCTV dedicou, as suas últimas horas de emissão, a recordar os 53 anos de história daquela estação privada, instando a não perder a esperança e garantindo que em breve estaria de regresso.

Nos minutos finais, a partir dos estúdios, directores e trabalhadores do canal, artistas e jornalistas de diferentes meios de comunicação social, rezaram pela "liberdade" e transmitiram o vídeo "quando um amigo se vai (embora)".

Ao som da tradicional mensagem sonora "tu contas comigo como sempre", que nos últimos meses servia de banda sonora do canal, todos acompanharam o momento em que os transmissores foram apagados.

A 28 de Dezembro de 2006, numa cerimónia na Academia Militar de Caracas, Hugo Chávez aconselhou os proprietários da RCTV - canal que disse ser "golpista" - a fazerem as malas e a desligarem os equipamentos, anunciando nessa altura que a concessão, que expiraria a 28 de Maio de 2007, não seria renovada.

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