Cancros contraídos no local de trabalho
Mais de 200 mil pessoas morrem por ano em todo o mundo devido a cancros contraídos no local de trabalho por inalação de fibras de amianto ou fumo de tabaco, revelou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Uma em cada dez mortes por cancro surge ligada a riscos a que os trabalhadores são sujeitos e que poderiam ser evitados, estima ainda a OMS, num comunicado divulgado na véspera do Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho, que se assinala sábado.
O mesotelioma (tumor maligno da pleura - camada de revestimento do pulmão e do tórax - ou do peritónio - revestimento do abdómen) e cancros do pulmão e da bexiga são os tipos mais comuns de tumores ocupacionais.
"A maioria destes cancros mortais ligados ao local de trabalho surge nos países desenvolvidos, uma vez que resultam do uso intensivo, há 20-30 anos, de diferentes substâncias cancerígenas" como o amianto, pesticidas ou dissolventes como o benzeno, explica a organização.
Actualmente, o controlo mais rigoroso destes produtos levou à deslocação do uso de substâncias conhecidas como cancerígenas para os países onde existe menos protecção.
"Se a utilização não-regulamentada destes produtos continuar nos países em vias de desenvolvimento, é de esperar que nas próximas décadas se registe um aumento significativo dos cancros ligados aos lugares de trabalho", alerta a OMS.
Cerca de 125 milhões de pessoas em todo o mundo estão expostas ao amianto no seu local de trabalho, pelo menos 90 mil morrem, segundo números da OMS.
Vários milhares morrem de leucemia causada pela exposição ao benzeno, um dissolvente largamente utilizado.
Segundo a OMS, os trabalhadores vítimas do tabagismo passivo correm duas vezes mais riscos de desenvolver cancro do pulmão do que os que trabalham num ambiente sem tabaco.
"É trágico que seja preciso tanto tempo para traduzir em acções de prevenção o que a ciência nos ensina sobre os cancros associados ao local de trabalho", lamentou a directora da OMS para a Saúde Pública e Ambiente, Maria Neira.
Andreas Ullrich, do departamento de prevenção do cancro da OMS, defende que o controlo de substâncias cancerígenas nos locais de trabalho deve ser a medida-chave de todos os programas nacionais de luta contra o cancro.