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Candidato islamita e político da era Mubarak disputam presidência do Egito
A presidência no Egito vai ser disputada entre um islamita e um antigo primeiro-ministro de Hosni Mubarak . A comissão eleitoral egípcia anunciou os resultados da primeira-volta das eleições e confirmou que a segunda-volta vai ser um frente a frente entre Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana e Ahmed Shafiq o candidato favorecido pelos militares. Ambos recolheram mais de cinco milhões de votos nas eleições da semana passada, que foram as primeiras presidenciais livres na história do Egito.
Os resultados da primeira votação realizada a 23-24 de maio mostram um Egito fragmentado em três campos com um peso quase equivalente.
O candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, foi o mais votado, tendo obtido 5,76 milhões de votos, mas ficou a curta distancia do segundo mais votado, Ahmed Shafiq que contou com a preferência de 5,5 milhões de eleitores egípcios.
Fora da segunda volta mas com uma representação quase equivalente à dos dois primeiros ficou Hamdeen Sabahi, candidato do partido de esquerda Al Karamah, que contou com 4,82 milhões de votos.
Comissão rejeita queixas de candidatos
O chefe da comissão eleitoral, Farouq Sultan, que hoje divulgou os números finais da primeira volta, disse ter recebido um total de sete pedidos de contestação dos resultados por parte dos outros candidatos, os quais foram todos rejeitados.
Segundo Sultan, quatro das queixas não tinham uma base legal, e as outras três foram recusadas por terem dado entrada já depois do final do prazo.
Uma das queixas foi justamente a do candidato que ficou em terceiro lugar. Hamdeen Sabahi alegou que os soldados do serviço militar obrigatório tinham votado ilegalmente. O chefe da comissão eleitoral rejeitou a queixa afirmando que, apesar de terem existido deficiências no processo eleitoral, estas não tinham afetado o resultado.
Quase metade dos egipcios abstiveram-se
Na primeira volta, a que concorreram 13 candidatos, participou quase metade dos 50 milhões de egípcios que têm direito a voto, numa população de 80 milhões de habitantes.
A junta militar que assumiu o poder no Egito em fevereiro de 2011 tinha prometido uma eleição justa e o regresso do poder civil.
No entanto, os egípcios enfrentam muitas incógnitas, pois, até que seja elaborada uma nova constituição, ninguém sabe exatamente quais serão os poderes do presidente, o que leva muitos a recearem futuros conflitos com os militares que parecem decididos a manter-se numa posição dominante.
Para já anuncia-se uma segunda volta muito renhida, dada a proximidade dos votos recolhidos pelos dois candidatos na primeira votação e o facto de nenhum deles ser uma escolha óbvia para os quase cinco milhões de egípcios que votaram no candidato da esquerda.
Mohammed Mursi representa a Irmandade Muçulmana, a mais poderosa expressão do Islão político no Egito que, depois de lutar durante anos contra o regime na ilegalidade, surge agora a disputar a liderança da nação.
Uma vitória "amarga" para a Irmandade Muçulmana
No entanto, os comentadores fazem notar que esta aparente vitória esconde um amargo de boca. Nestas eleições os islamitas perderam quase metade dos votos que tinham obtido há seis meses, nas eleições para a câmara baixa do parlamento.
Muitos observadores fazem notar que desde o momento em que saiu da clandestinidade, a Irmandade desperdiçou grande parte do capital político angariado enquanto resistência ativa ao regime. Segundo dizem, o grupo cometeu muitos erros políticos, que lhe alienaram o apoio do homem da rua.
Entre as acusações mais comuns está a de que a Irmandade tentou uma investida para arrebatar o poder por meios não democráticos, falhou no parlamento e se desviou para a direita, fazendo uso de uma retórica islamita da linha dura que muitos consideram fraturante.
Com os olhos postos agora nas presidenciais os islamitas tentam agora estabelecer alianças e acordos que lhe permitam uma base mais alargada de apoios.
General e amigo de Mubarak
Do outro lado da barricada está Ahmed Shafiq, um general e antigo comandante da força aérea que foi o último político a desempenhar o cargo de primeiro-ministro durante o regime de
Hosni Mubarak. Sabe-se que é amigo de longa data do governante egípcio deposto, além de ser, muito provavelmente, o candidato mais favorecido pela junta militar que atualmente governa o país.
Para os reformistas, Shafiq representa tudo aquilo contra que se insurgiram em 2011 e muitos receiam que a sua eleição signifique a restauração das políticas de Mubarak.
Resta saber se o horror ao passado será suficiente para levar essa parte do eleitorado a votar nos islamitas, ou se o receio de que estes façam resvalar o país para uma teocracia manterá afastadas das urnas as franjas mais progressistas da sociedade egípcia.
A segunda volta das presidenciais no Egito está marcada para 16-17 de junho e o vencedor será anunciado a 21 de junho.
O candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, foi o mais votado, tendo obtido 5,76 milhões de votos, mas ficou a curta distancia do segundo mais votado, Ahmed Shafiq que contou com a preferência de 5,5 milhões de eleitores egípcios.
Fora da segunda volta mas com uma representação quase equivalente à dos dois primeiros ficou Hamdeen Sabahi, candidato do partido de esquerda Al Karamah, que contou com 4,82 milhões de votos.
Comissão rejeita queixas de candidatos
O chefe da comissão eleitoral, Farouq Sultan, que hoje divulgou os números finais da primeira volta, disse ter recebido um total de sete pedidos de contestação dos resultados por parte dos outros candidatos, os quais foram todos rejeitados.
Segundo Sultan, quatro das queixas não tinham uma base legal, e as outras três foram recusadas por terem dado entrada já depois do final do prazo.
Uma das queixas foi justamente a do candidato que ficou em terceiro lugar. Hamdeen Sabahi alegou que os soldados do serviço militar obrigatório tinham votado ilegalmente. O chefe da comissão eleitoral rejeitou a queixa afirmando que, apesar de terem existido deficiências no processo eleitoral, estas não tinham afetado o resultado.
Quase metade dos egipcios abstiveram-se
Na primeira volta, a que concorreram 13 candidatos, participou quase metade dos 50 milhões de egípcios que têm direito a voto, numa população de 80 milhões de habitantes.
A junta militar que assumiu o poder no Egito em fevereiro de 2011 tinha prometido uma eleição justa e o regresso do poder civil.
No entanto, os egípcios enfrentam muitas incógnitas, pois, até que seja elaborada uma nova constituição, ninguém sabe exatamente quais serão os poderes do presidente, o que leva muitos a recearem futuros conflitos com os militares que parecem decididos a manter-se numa posição dominante.
Para já anuncia-se uma segunda volta muito renhida, dada a proximidade dos votos recolhidos pelos dois candidatos na primeira votação e o facto de nenhum deles ser uma escolha óbvia para os quase cinco milhões de egípcios que votaram no candidato da esquerda.
Mohammed Mursi representa a Irmandade Muçulmana, a mais poderosa expressão do Islão político no Egito que, depois de lutar durante anos contra o regime na ilegalidade, surge agora a disputar a liderança da nação.
Uma vitória "amarga" para a Irmandade Muçulmana
No entanto, os comentadores fazem notar que esta aparente vitória esconde um amargo de boca. Nestas eleições os islamitas perderam quase metade dos votos que tinham obtido há seis meses, nas eleições para a câmara baixa do parlamento.
Muitos observadores fazem notar que desde o momento em que saiu da clandestinidade, a Irmandade desperdiçou grande parte do capital político angariado enquanto resistência ativa ao regime. Segundo dizem, o grupo cometeu muitos erros políticos, que lhe alienaram o apoio do homem da rua.
Entre as acusações mais comuns está a de que a Irmandade tentou uma investida para arrebatar o poder por meios não democráticos, falhou no parlamento e se desviou para a direita, fazendo uso de uma retórica islamita da linha dura que muitos consideram fraturante.
Com os olhos postos agora nas presidenciais os islamitas tentam agora estabelecer alianças e acordos que lhe permitam uma base mais alargada de apoios.
General e amigo de Mubarak
Do outro lado da barricada está Ahmed Shafiq, um general e antigo comandante da força aérea que foi o último político a desempenhar o cargo de primeiro-ministro durante o regime de
Hosni Mubarak. Sabe-se que é amigo de longa data do governante egípcio deposto, além de ser, muito provavelmente, o candidato mais favorecido pela junta militar que atualmente governa o país.
Para os reformistas, Shafiq representa tudo aquilo contra que se insurgiram em 2011 e muitos receiam que a sua eleição signifique a restauração das políticas de Mubarak.
Resta saber se o horror ao passado será suficiente para levar essa parte do eleitorado a votar nos islamitas, ou se o receio de que estes façam resvalar o país para uma teocracia manterá afastadas das urnas as franjas mais progressistas da sociedade egípcia.
A segunda volta das presidenciais no Egito está marcada para 16-17 de junho e o vencedor será anunciado a 21 de junho.