Candidatos da terceira via atiram-se ao judiciário após cancelamento de debate

Candidatos da terceira via atiram-se ao judiciário após cancelamento de debate

Os candidatos da chamada terceira via nas eleições presidenciais brasileiras criticaram duramente o poder judicial, denunciando um ataque à democracia após o cancelamento, à última hora, do debate da TV Globo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Os candidatos, que juntos têm pouco mais de 10% nas sondagens, falaram aos jornalistas nos estúdios da estação televisiva, onde aguardavam o início do debate, imediatamente após o anúncio do cancelamento.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema acusou o poder judicial de voltar "a fazer política" no Brasil e de estar ao serviço de Lula da Silva, criticando uma decisão judicial que, a poucos minutos do início do debate, alterou as regras e levou Flávio Bolsonaro a desistir de participar.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado classificou o sucedido como um "atentado à democracia brasileira" e acusou o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF) de desejarem uma "ditadura da toga".

O candidato, que disse ter chegado três horas antes do debate, responsabilizou Lula da Silva pelo cancelamento, acusando-o de procurar, desde o primeiro momento, inviabilizar o debate: "Lula é o culpado de tudo isto".

Já o psiquiatra e autor de livros de autoajuda Augusto Cury manifestou uma "frustração tremenda" e questionou: "Será que estamos precisando de um psiquiatra?".

O candidato defendeu que o poder judicial, enquanto alicerce da democracia, deve "ser discreto" e acusou o STF de ter adquirido um protagonismo "completamente desproporcionado", colocando a democracia à "beira colapso".

A TV Globo cancelou o debate eleitoral de quinta-feira depois da desistência de última hora do senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro e depois de imposições judiciais feitas pouco antes do início do debate.

O anúncio da TV Globo foi feito cerca de uma hora antes do início do debate que iria decorrer às 21:30 locais (01:30 de hoje em Lisboa), com o mais popular canal de televisão a indicar que a razão perdeu-se após a juíza do Tribunal Superior Eleitoral Estela Aranha proibir um lugar reservado ao candidato vazio com nome de Lula e do juiz do STF Gilmar Mendes determinar a inclusão do candidato Renan Santos no debate.

A decisão de Estela Aranha, tomada a pedido da equipa de Lula da Silva, anulou a regra que previa a manutenção de um lugar vazio com o nome do candidato ausente e a possibilidade de os restantes participantes lhe dirigirem perguntas.

Já a decisão de Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan Santos, do partido Missão, no debate. A obrigação de convidar candidatos para debates na rádio e na televisão está prevista na lei e é regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Poucos minutos antes do anúncio da TV Globo, o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro cancelou a participação no debate, numa decisão que surpreendeu os seus apoiantes que o aguardavam à chuva, constatou a Lusa no local.

"Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes", escreveu Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

O candidato do Partido Liberal (PL) tinha confirmado a participação no encontro, o segundo e último antes da primeira volta das presidenciais de domingo.

Flávio Bolsonaro dedicou mesmo os últimos dois dias a gravações de propaganda eleitoral e reuniões internas com a sua equipa para preparar o debate.

Por outro lado, Lula da Silva confirmou na véspera que não participaria no debate organizado pela TV Globo, a estação de televisão mais popular e influente do país, e que daria uma entrevista a um `podcast` à mesma hora.

"Eu acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada. Não dá sequência. Então o pessoal começa a fazer gracinha, a fazer pegadinha. Quando você está numa disputa para Presidente da República, é uma coisa mais séria", disse, durante a entrevista ao FlowPodcast, que entretanto começou.

Sem Lula, os participantes seriam Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Além destes, um juiz do Supremo Tribunal Federal autorizou na quinta-feira a inclusão no evento de Renan Santos, candidato do partido Missão, que não tinha sido convidado pela Globo.

Neste contexto, o filho mais velho de Jair Bolsonaro mudou de opinião e comunicou, duas horas antes do início do debate, que não compareceria.

 

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