Mundo
Caos e demora do auxílio desesperam sobreviventes do tufão Haiyan nas Filipinas
Estimativas de dez mil mortos só na cidade de Tacloban, em Leyte e centenas de outros noutros locais, em 41 províncias atingidas pela maior tempestade de que há memória. Pelo menos dois milhões de pessoas afetadas, centenas de milhares sem teto e mais de 23 mil casas arrasadas. A contabilidade das vítimas do tufão Haiyan ainda agora começou.
A tempestade atingiu severamente seis ilhas, sobretudo Leyte, Samar e a parte norte de Cebu. Ventos constantes superiores a 235 quilómetros por hora com rajadas de 275 Km/h, ondas de 15 metros e chuva torrencial deixaram um rasto caótico, com restos de árvores, edifícios, pontes, veículos de todo o género e até navios, amontoados uns sobre os outros, à mistura com corpos de pessoas e de animais.




A força da tempestade ultrapassou todos os preparativos. Muitos dos 23 mil edifícios que se calcula tenham sido arrasados pelo tufão, eram os centros, igrejas e escolas, construídas com tijolo e argamassa, onde 800 mil pessoas se abrigaram e que se mostraram incapazes de aguentar a fúria do vento e as torrentes de água. Autoridades locais dizem que aqueles que se refugiaram nestes lugares morreram afogados ou foram arrastados pelas águaImagens da cidade de Guiuan, na província de Samar, a primeira a ser atingida pelo tufão, mostram um rasto de devastação semelhante ao de Tacloban.
"Não tenho casa, não tenho roupas. Não sei como recomeçar a minha vida. Estou tão confusa", chorava uma mulher numa reportagem da ABS-CBN. "Não sei o que nos sucedeu. Pedimos ajuda. Quem tenha um bom coração, peço, por favor, ajude Guiuan!"..
"Tacloban foi arrasada. Não há praticamente nenhum edifício de pé. As pessoas aqui dizem que a cidade foi atingida por um muro de água quando o tufão chegou a terra", diz um repórter da BBC enquanto percorre aquela que foi a principal avenida da cidade. "Vimos dezenas de corpos ao longo da estrada. Estão ali há três dias sem ninguém os enterrar," conta Jon Donnison.
Os sobreviventes vagueiam pelos destroços tentando salvar o que podem e pilhando o que sobrou, recolhendo corpos e procurando familiares. Mais de 400 soldados e elementos das forças especiais tentam manter a ordem num mundo virado do avesso.

"Pensamos que se vai tornar perigoso na cidade porque os bens de auxílio estão a chegar muito lentamente," diz Bobbie Womack, uma missionária americana residente há muito anos em Tacloban. "Sei que é um enorme, enorme esforço tentar alimentar uma cidade de mais de 150 mil pessoas. Precisam de trazer navios cheios de comida," acrescenta.
O Presidente das Filipinas, Benigno Aquino, instaurou o estado de emergência, admitindo também decretar a lei marcial na região, de forma a controlar os movimentos da população e a distribuição da ajuda.
Aos que morreram durante a tempestade poderão juntar-se novas vítimas da confusão instalada. "Precisamos de água e de medicamentos porque muitas pessoas com quem estamos estão feridas. Algumas sofrem de diarreia e de desidratação devido à falta de comida e de água", apela uma sobrevivente da ilha de Leyte, a mais afetada pelo tufão.
Erika Mae Karakot falava à agência de notícias APTN enquanto esperava por ajuda numa das muitas filas que se formaram junto aos centros de socorro erguidos à pressa.


Três dias depois de Haiyan ter atingido as Filipinas, o auxílio, sob a forma de abrigos, medicamentos ou material hospitalar e geradores de eletricidade, chega do mundo inteiro, mas a sua distribuição faz-se a conta-gotas. As estradas mal começaram a ser desimpedidas dos destroços, a desordem impera e muitos locais afetados pelo tufão estão ainda isolados.
Uma tempestade tropical que se formou entretanto está a dificultar ainda mais o socorro a éreo.

"Chegar às zonas mais afetadas está a ser muito difícil, com acessos limitados devido aos estragos causados pelo tufão às infraestruturas e comunicações", explicou o representante da UNICEF nas Filipinas Tomoo Hozumi.
Até às 22h50 de domingo estavam contabilizados 225 mortos, mas as autoridades locais sabem que este número deverá subir em flecha nos próximos dias.
"Rezamos para que o número de mortos seja inferior a dez mil", afirmou o porta-voz do Presidente, Edwin Lacierda.
A força da tempestade ultrapassou todos os preparativos. Muitos dos 23 mil edifícios que se calcula tenham sido arrasados pelo tufão, eram os centros, igrejas e escolas, construídas com tijolo e argamassa, onde 800 mil pessoas se abrigaram e que se mostraram incapazes de aguentar a fúria do vento e as torrentes de água. Autoridades locais dizem que aqueles que se refugiaram nestes lugares morreram afogados ou foram arrastados pelas águaImagens da cidade de Guiuan, na província de Samar, a primeira a ser atingida pelo tufão, mostram um rasto de devastação semelhante ao de Tacloban.
"Não tenho casa, não tenho roupas. Não sei como recomeçar a minha vida. Estou tão confusa", chorava uma mulher numa reportagem da ABS-CBN. "Não sei o que nos sucedeu. Pedimos ajuda. Quem tenha um bom coração, peço, por favor, ajude Guiuan!"..
"Tacloban foi arrasada. Não há praticamente nenhum edifício de pé. As pessoas aqui dizem que a cidade foi atingida por um muro de água quando o tufão chegou a terra", diz um repórter da BBC enquanto percorre aquela que foi a principal avenida da cidade. "Vimos dezenas de corpos ao longo da estrada. Estão ali há três dias sem ninguém os enterrar," conta Jon Donnison.
Os sobreviventes vagueiam pelos destroços tentando salvar o que podem e pilhando o que sobrou, recolhendo corpos e procurando familiares. Mais de 400 soldados e elementos das forças especiais tentam manter a ordem num mundo virado do avesso.
"Pensamos que se vai tornar perigoso na cidade porque os bens de auxílio estão a chegar muito lentamente," diz Bobbie Womack, uma missionária americana residente há muito anos em Tacloban. "Sei que é um enorme, enorme esforço tentar alimentar uma cidade de mais de 150 mil pessoas. Precisam de trazer navios cheios de comida," acrescenta.
O Presidente das Filipinas, Benigno Aquino, instaurou o estado de emergência, admitindo também decretar a lei marcial na região, de forma a controlar os movimentos da população e a distribuição da ajuda.
Aos que morreram durante a tempestade poderão juntar-se novas vítimas da confusão instalada. "Precisamos de água e de medicamentos porque muitas pessoas com quem estamos estão feridas. Algumas sofrem de diarreia e de desidratação devido à falta de comida e de água", apela uma sobrevivente da ilha de Leyte, a mais afetada pelo tufão.
Erika Mae Karakot falava à agência de notícias APTN enquanto esperava por ajuda numa das muitas filas que se formaram junto aos centros de socorro erguidos à pressa.
Três dias depois de Haiyan ter atingido as Filipinas, o auxílio, sob a forma de abrigos, medicamentos ou material hospitalar e geradores de eletricidade, chega do mundo inteiro, mas a sua distribuição faz-se a conta-gotas. As estradas mal começaram a ser desimpedidas dos destroços, a desordem impera e muitos locais afetados pelo tufão estão ainda isolados.
Uma tempestade tropical que se formou entretanto está a dificultar ainda mais o socorro a éreo.
"Chegar às zonas mais afetadas está a ser muito difícil, com acessos limitados devido aos estragos causados pelo tufão às infraestruturas e comunicações", explicou o representante da UNICEF nas Filipinas Tomoo Hozumi.
Até às 22h50 de domingo estavam contabilizados 225 mortos, mas as autoridades locais sabem que este número deverá subir em flecha nos próximos dias.
"Rezamos para que o número de mortos seja inferior a dez mil", afirmou o porta-voz do Presidente, Edwin Lacierda.