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Hoje, 16 de janeiro, os Carabinieri prenderam o fugitivo Matteo Messina Denaro dentro de uma estrutura hospitalar em Palermo, onde estava a fazer tratamento médico", disse Pasquale Angelosanto, general da polícia nacional dos carabinieri, segundo a agência AGI News.
Matteo Messina Denaro é um dos mafiosos da Cosa Nostra e foi preso, esta segunda-feira de manhã, pelos militares dos Carabinieri em Palermo, na ilha Sicília. A polícia italiana confirmou a informação, citada pela Reuters, adiantando que apanharam o chefe da máfia mais procurado, foragido há três décadas, num hospital privado onde fazia tratamento.
À AFP, o general Pasquale Angelosanto afirmou que Denaro foi levado para um local secreto imediatamente após a detenção.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, já reagiu à detenção, considerando-a "uma grande vitória para o Estado que mostra que nunca desiste diante da máfia".
"Após o aniversário da prisão de Totò Riina, outro chefe do crime organizado, Matteo Messina Denaro, é levado à justiça", escreveu a governante no Twitter.
Numa outra mensagem, na rede social, a chefe de Governo agradeceu às "forças policiais e, em particular, aos Ros dei Carabinieri", ao procurador nacional antimáfia e ao procurador de Palermo pela "detenção do expoente mais significativo do crime mafioso".
Denaro foi condenado a prisão perpétua, num julgamento no qual não esteve presente, pelos assassinatos, em 1992, de dois procuradores antimáfia, Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Na altura, foi também condenado a prisão perpétua pelo envolvimento nos ataques com bomba em Florença, Roma e Milão, que mataram dez pessoas no ano seguinte.
Em 1993, Denaro terá ajudado a organizar o rapto de uma criança de 12 anos, Giuseppe Di Matteo, numa tentativa de dissuadir o pai a depor contra a máfia, indicam ainda os promotores, citados pela Reuters. O rapaz terá sido mantido em cativeiro durante dois anos antes de ser estrangulado e queimado com ácido.
Denaro, apelidado de 'Diabolik', já foi considerado o candidato a chefe dos chefes da máfia siciliana, após as mortes de Bernardo Provenzano, em 2016, e Salvatore Riina, em 2017. O Guardian refere que as autoridades acreditam que o chefe mafioso agora detido era há muito protegido por maçons poderosos na província siciliana de Trapani.
O homem com agora 60 anos - que uma vez afirmou que encheu "um cemitério sozinho" - aparentemente conseguiu um estilo de vida luxuoso depois de fugir, graças a ajudas de vários banqueiros.
Em setembro de 2022, a polícia afirmou que o chefe da máfia ainda daria ordens na zona de Trapani, Sicília ocidental, o seu reduto regional, apesar de estar há muito desaparecido. Esta detenção ocorre numa altura em que se intensificam as investigações contra o crime organizado levadas a cabo pelos procuradores de Palermo, Maurizio de Lucia e Paolo Guido.
A tentativa para localizar Denaro foi dificultada pela quase completa ausência de fotografias recentes. Com apenas algumas fotos de identidade tiradas no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, as autoridades italianas reconstruíram a aparência digitalmente, usando a mais recente tecnologia de computador e informações fornecidas pelos membros apanhados da Máfia. Alguns informadores, contudo, revelaram às autoridades que o chefe teria realizado uma cirurgia plástica facial para ocultar a identidade, enquanto outros afirmaram que terá removido as impressões digitais.
Por causa disso, durante anos, dezenas de pessoas foram presas inocentemente por identidade equivocada. Em 2019, a polícia militar dos Carabinieri invadiu um hospital siciliano para prender um homem de Castelvetrano que estava em recuperação na unidade de neurologia.