Carnaval leva milhares de foliões 3º feira à Marginal de Luanda

A Marginal de Luanda vai receber terça- feira dezenas de milhares de foliões para assistirem ao desfile do corso carnavalesco, que este ano vai homenagear a dizanga, uma dança tradicional do Carnaval angolano em vias de extinção.

Agência LUSA /

O Carnaval de Luanda, uma tradição que se repete sem interrupções desde 1978, apresenta este ano como novidade o facto da organização ter sido entregue a uma empresa especializada, numa iniciativa que pretende transformar os festejos num pólo de atracção turística da capital angolana.

Nesse sentido, a zona da marginal, fronteira à Baía de Luanda, foi dotada de condições para acolher cerca de 30 mil pessoas ao longo do espaço onde vão desfilar os grupos carnavalescos, entre a sede do Banco Nacional de Angola e as instalações da Marinha de Guerra.

Na marginal foram também montadas bancadas com capacidade para 1.000 pessoas, tendo sido ainda criada uma zona VIP, exclusivamente destinada a convidados.

A organização instalou ao longo da marginal cabines sanitárias portáteis, assegurando ainda serviços médicos de emergência.

Os festejos começaram domingo com o desfile de 12 grupos infantis e dos corsos carnavalescos de algumas das comunidades estrangeiras residentes em Luanda e prosseguem hoje com a exibição dos 15 grupos que integram a Classe B, a segunda divisão do Carnaval de Luanda.

O ponto alto está previsto para a tarde de terça-feira, quando desfilarem na Marginal de Luanda os 13 grupos carnavalescos que integram a Classe A, provenientes de cinco municípios de Luanda.

Neste desfile estarão presentes apenas grupos carnavalescos dos municípios do Kilamba Kiaxi, Maianga, Sambizanga, Ingombotas e Cazenga.

Para o desfile deste ano, a organização definiu que cada grupo carnavalesco tem que apresentar no mínimo 250 elementos, todos vestidos com a indumentária escolhida para identificar o grupo.

O grupo vencedor ganha um prémio de 30 mil dólares, enquanto o segundo classificado recebe 20 mil dólares e o terceiro 12 mil dólares, sendo a classificação atribuída por um júri que vai avaliar a dança, a canção, a bandeira, o comandante e a alegoria de cada grupo.

O corso carnavalesco deverá ser acompanhado no local por dezenas de milhares de pessoas, mas muitas outras vão seguir o desfile através das emissões em directo da rádio e da televisão.

No final deste desfile, que vai prolongar-se até ao princípio da noite, realiza-se um espectáculo de música num palco especialmente montado na marginal, culminando os festejos com uma sessão de fogo de artifício.

Nesta edição do Carnaval de Luanda, o Ministério da Cultura pretende homenagear a dizanga, uma dança tradicional do carnaval angolano actualmente em vias de extinção.

A Dizanga, originária da região de Icolo e Bengo, na província do Bengo, terá surgido em Angola no início do século XX, tendo atingido o seu apogeu entre 1910 e 1918.

Na década de 30, esta dança chegou a Luanda, onde veio a fixar- se nos anos seguintes, até começar a cair em desuso.

No ano passado, uma equipa do Ministério da Cultura iniciou uma pesquisa sobre esta dança e descobriu cerca de uma dezena de grupos que ainda tentam manter viva esta tradição em algumas zonas da periferia de Luanda e da província do Bengo.

A Dizanga define-se por ser uma dança de características espontâneas, em que os participantes executam movimentos de forma livre, por vezes sincronizados, mas sem uma coreografia definida previamente.

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