Cartoon do português António acusado de anti-semitismo e retirado pelo New York Times

por RTP

O desenho que representa o Primeiro-Ministro de Israel como um cão-guia a conduzir um Donald Trump cego foi considerado "repugnante" pela Casa Branca.

O jornal pediu desculpa aos leitores, mas o cartoonista português alega que estava apenas a satirizar a política de Israel.

É um traço português a tocar numa ferida antiga. Em causa, um desenho que representa o primeiro-ministro de Israel como um cão-guia com uma coleira com uma Estrela de David e conduz Donald Trump, cego e a usar o típico quipá judaico na cabeça.

Depois de dias de duras críticas à imagem, o New York Times considerou que tinha alegorias anti-semitas, era ofensiva e tinha sido um erro publicá-la.

No atelier em Lisboa, António diz-se surpreendido com a atitude do jornal e com a reação do público.

O cartoonista afirma: "Eu não sou anti-semita, não gosto é de massacres. Não acho graça, acho que não se justifica. E acho que os judeus têm sempre uma cábula fácil - cada vez que são criticados, ai ai ai que é anti-semita. Eu não sou nada anti-semita, é uma carapuça que eu não enfio".

O New York Times demorou algum tempo a reagir, mas tomou posição depois de uma crítica de peso - a do filho do presidente dos estados unidos, que considerou o cartoon "repugnante" e "anti-semita". O jornal pediu desculpa mas o próprio Donald Trump acabaria por reagir no Twitter.

O cartoon foi primeiro publicado no Expresso, no dia 19 deste mês, mas não provocou polémica. António explica que a política de colonatos de Israel foi a inspiração do desenho: "Este recrudescer da política expansionista aumentou muito com o apoio político de Trump. Trump digamos que deu confiança a Nethanyau para prosseguir com este tipo de coisas, e foi contra isso que me insurgi".

António diz não saber como o cartoon chegou ao New York Times, porque há muitos anos que não colabora com a imprensa dos Estados Unidos. Mas não é a primeira vez que é acusado de anti-semitismo - em 1983, venceu um prémio e recebeu críticas por este desenho que representa a invasão israelita do Líbano, fazendo um pastiche de uma fotografia da segunda guerra mundial. Célebre ficou também a reação violenta ao cartoon Preservativo Papal, em 1993.