Casa Branca não comenta fuga de informação
O porta-voz da Casa Branca, Scott McLellan, recusou segunda-feira comentar o papel de Karl Rove, o principal assessor político do presidente George W. Bush, na filtração para a imprensa do nome de uma agente secreta da CIA.
Os diários The Washington Post e The New York Times informaram na sua edição de segunda-feira que foi Rove quem falou com vários jornalistas sobre o trabalho de Valerie Plame na CIA (central de espionagem norte-americana).
O ex-diplomata Joseph Wilson, marido de Palme e que questionou os argumentos dos Estados Unidos para entrar em guerra no Iraque, considerou na altura essa fuga para a imprensa como uma represália contra si.
McClellan negou-se a responder durante uma conferência de imprensa às perguntas sobre Rove, ao indicar que o caso está a ser objecto de uma investigação criminal.
"Os procuradores que estão a seguir a investigação assinalaram que uma forma de ajudar no inquérito é não fazer comentários desde este pódio", disse o porta-voz da Casa Branca perante a avalancha de perguntas sobre Rove.
McClellan também não quis mencionar os desmentidos prévios do Governo.
A Casa Branca insistiu, durante dois anos, que Rove não teve nada a ver com a revelação da identidade de Plame e o presidente Bush indicou que o "delator" seria despedido.
Segundo a informação publicada segunda-feira, Rove descreveu Plame a um dos repórteres que investigava o caso como alguém que "aparentemente trabalha" para CIA, segundo um correio electrónico a que teve acesso a revista Newsweek.
Robert Novak, colunista e comentador da cadeia CNN, foi o primeiro que publicou um artigo em Julho de 2003 em que assinalava que Plame tinha trabalhado para a CIA.
A publicação ocorreu poucos dias depois de o marido de Plame, Wilson, ter dito que não tinha encontrado provas de que o Iraque tivesse tentado comparar materiais nucleares no Níger.
O presidente Bush afirmou que o regime de Saddam Hussein tinha tentado comprar materiais nucleares "em África" durante uma comparência no Congresso dos Estados Unidos em Janeiro de 2003, e assinalou que esse era um dos motivos para justificar uma possível acção militar contra o Iraque.
Os jornalistas Matthew Cooper, da revista Time, e Judith Miller, do diário The New York Times, também fizeram averiguações sobre o assunto. Cooper publicou um artigo que ratificava o que fora dito por Novak, enquanto Miller não publicou artigo algum.
A semana passada Miller foi enviada para a prisão por negar-se a revelar a sua fonte, e Cooper disse que o seu informante o havia autorizado a declarar perante os investigadores.