Casos de cólera em Benguela e no Cuanza Norte, Luanda já tem 948 casos
As autoridades sanitárias de Benguela e do Cuanza Norte revelaram hoje a existência de casos de cólera nas duas províncias angolanas, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não confirmou a existência de um surto.
Na província de Benguela, segundo António Bento, director provincial de Saúde, foram registados até agora 39 casos de cólera, de que resultaram 11 mortos.
Em declarações à Agência Lusa, António Bento disse que foram registados 30 casos no município da Catumbela, na costa atlântica, enquanto os nove restantes ocorreram nos municípios da Ganda (oito) e do Cubal (um), ambos no interior da província.
Na Catumbela, a cólera provocou seis mortos, enquanto as restantes cinco vítimas mortais registadas na província de Benguela ocorreram no município da Ganda.
"Podemos dizer que estamos preocupados", afirmou António Bento.
Por seu lado, Miguel Gaspar Sebastião, director provincial de Saúde do Cuanza Norte, também confirmou a existência de casos de cólera na província, revelando que o Hospital de Ndalatando, capital provincial, já registou 152 casos, de que resultaram 11 mortos.
"Os primeiros casos de diarreia com vómitos começaram a surgir a 20 de Março, mas só a partir do dia 25 é que confirmámos que é mesmo um surto de cólera", afirmou.
Segundo este responsável provincial, os casos de cólera foram registados em vários bairros da cidade de Ndalatando, especialmente nas zonas situadas perto dos dois rios que atravessam a capital do Cuanza Norte.
Para enfrentar este surto, as autoridades sanitárias criaram quatro salas específicas para tratamento de doentes com cólera no Hospital Provincial de Ndalatando.
Contactado pela Lusa, o porta-voz da OMS em Angola, José Caetano, afirmou que foram enviadas equipas de vigilância epidemiológica para Benguela e para o Cuanza Norte, mas escusou-se a confirmar a existência de casos de cólera, alegando que ainda não tem conhecimento dos relatórios elaborados por aquelas equipas especializadas.
Na capital angolana, o mais recente balanço da epidemia de cólera, divulgado ao princípio da tarde de hoje, indica que foram registados 948 casos, de que resultaram 23 mortos.
Nas últimas 24 horas, as autoridades sanitárias registaram 133 novos casos de cólera na capital angolana, o que é um novo máximo diário desde que a epidemia foi declarada.
A maioria dos casos continua a ocorrer nos municípios do Sambizanga, que já registou 496 doentes com cólera, e das Ingombotas, onde já foram detectados 316 casos.
O Governo angolano e a OMS declararam a 19 de Fevereiro uma epidemia de cólera em Luanda, onde o primeiro caso foi registado a 13 de Fevereiro.
Para controlar a epidemia, foram criados três centros médicos de atendimento especializado e está a ser distribuída água potável à população das zonas mais afectadas.
As autoridades lançaram ainda uma intensa campanha de sensibilização e informação através dos meios de comunicação social e de equipas que percorrem os bairros da periferia de Luanda alertando para a necessidade de tratar a água antes de a consumir e de lavar frequentemente as mãos.
A cólera é uma doença altamente contagiosa que se transmite através da água, manifestando-se por vómitos e diarreia, que podem originar desidratação grave e, em casos extremos, a morte.