Casos de hepatite aguda atípica deixam autoridades em alerta

Cento e noventa casos de hepatite aguda atípica em crianças, com várias idades, já foram diagnosticados, a maioria na Europa.

Lusa /
As autoridades de saúde estão preocupadas com os casos de hepatite aguda atípica D.R.

Já foram identificados 190 casos de hepatite aguda atípica. Em Portugal, ainda não foi registado nenhum caso. 

Os especialistas portugueses participam esta quarta-feira na reunião do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças Infecciosas para delinear estratégias de prevenção e tratamento. Até agora, não foi identificado o agente que a provoca.

Os sinais e sintomas desta nova doença são iguais às de outras doenças gástricas: vómitos, dor de barriga ou diarreia. Sintomas que, por si só, não determinam um diagnóstico de inflamação no fígado. Um outro sintoma que se destaca, e que pode indicar doença hepática, é a icterícia, que deixa os olhos com cor amarela.

As 190 crianças diagnosticadas têm várias idades. A mais nova tinha um mês e a mais velha 16 anos. Todas apresentavam o fígado inflamado. No entanto, em nenhum dos casos foi detetado nenhum dos vírus já conhecidos que causam a maioria das hepatites identificadas.

Foram as análises às transaminazes – uma proteína que está ligada a doenças hepáticas – que levou os médicos ao diagnóstico de hepatite.

Apesar de estar por identificar o agente que provoca esta nova hepatite, não foi excluído tratar-se de um vírus já existente – como por exemplo o adenovirus responsável pelas constipações.

Atenção redobrada 

Numa conferência de imprensa durante a qual forneceu uma atualização sobre os últimos desenvolvimentos em matéria de doenças infeciosas na União Europeia, a diretora do ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças), Andrea Ammon começou precisamente por abordar os recentes casos de “hepatite aguda de origem desconhecida em crianças até então saudáveis”.

Apontando que “o Reino Unido foi o primeiro país a lançar um alerta, no início de abril, tendo desde então reportado mais de 100 casos”, e que, “depois desse alerta, mais países têm relatado casos, entre os quais 10 países da UE, mas também Israel e Estados Unidos”, Ammon sublinhou que muitos dos casos foram de hepatite grave e vários evoluíram para insuficiência hepática aguda, que exigiram transplantes de fígado, “o que mostra bem a gravidade da condição”.

As investigações prosseguem em todos os países, mas, de momento, a causa desta hepatite permanece desconhecida. A hepatite habitual, de A a E, está excluída, e as autoridades nacionais de saúde estão a olhar para possíveis causas”, disse, escusando-se a especular sobre a origem destes casos até haver mais dados.

Andrea Ammon disse então que o ECDC está a monitorizar a situação, em articulação com os países que já reportaram casos e com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Estamos a trabalhar numa avaliação rápida de risco, que esperamos publicar na quinta-feira”, anunciou.
PUB